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domingo, abril 25, 2010

A liberdade, hoje

quarta-feira, fevereiro 03, 2010

Manifestações de Manifestações


Estava nas minhas tão habituais andanças pela internet quando, de repente, me deparo com algo que... não sei se me chocou, mas revoltou. A minha primeira reacção foi uma gargalhada. Uma gargalhada forte, causada pelo ridículo da situação. Não vou deixar-vos mais na expectativa, vou dizer-vos de que se trata: no dia 20 de Fevereiro, em Lisboa, decorrerá uma Manifestação... não pelo Casamento e pela Família, como lá dizia, mas sim contra o Casamento e a Família, já que atinge parte dos mesmos. O ridículo começa logo no nome da iniciativa. Depois de ler o título e de perceber do que se tratava resolvi ler o manifesto. Passo a mostrar e a responder.

MANIFESTO
Quem faz a Família?
(Não há um só modelo de família. Esta pergunta é equivalente a perguntar "quem faz uma banda?". Há bandas com baterista, com guitarrista, com trompetista... outras têm um vocalista e um violinista... Depende. Uma criança e o seu avô, um homem e a sua esposa, um filho e uma mãe, um homem e o seu marido, uma senhora e a sua sobrinha cujos pais faleceram, uma mulher com um filho legítimo e outro adoptado... Um pai, uma mãe, a avó que anda de casa em casa e um filho... Ou aquele casal que não pode ter filhos mas que nem por isso deixa de se unir... Ou aquele paraplégico e a sua esposa que foi obrigada a adoptar visto que as condições do marido não o permitiam reproduzir-se. Querem mais exemplos? Há infinitas combinações... Para quê tentar um golpe de marketing baixo, uma manipulação foleira, tentando impingir que existe apenas um modelo de família?)
 
Quem educa as crianças?
(Voltamos à mesma história. Quem educa as crianças? O pai, a mãe, o avô, a avó, a tia, o tio, a mãe adoptiva, o pai adoptivo, a prima afastada que adoptou, a vizinha do lado ou a ama porque a mãe não tem tempo... depende... depende de família para família, nem sempre existem todas estas pessoas e não há um padrão absolutamente necessário. Senão podíamos fazer marchas já há muito tempo, e tirar as crianças aos pais solteiros, às mães solteiras, às avós que ficaram com os netos, aos tios que adoptaram... Nenhum deles é um pai e uma mãe, num seio em que não há violência nem factores perturbantes. Famílias destas existem 1% e é uma vez por semana que se dá este fenómeno de "seio saudável".)
 
Quem faz o Casamento?
(Ah, esta é fácil: duas pessoas que se amam. Antigamente um preto e um branco não era um casamento. Um rico e um pobre... ui, casar?! Tudo isso mudou, porque o objectivo do casamento é homenagem ao amor, a união entre duas pessoas que se amam.)
 
Quem constrói a solidariedade?
(Acho sempre piada a estes truques de (tentativa de) manipulação. Uma pessoa ao ler este manifesto vai estando convicta do que lê, pois as premissas parecem reais e verdadeiras, e no meio aparecem coisas que não têm nada a ver mas que, inconscientemente, nos ficam na cabeça. Quem faz a solidariedade? Resolvi pesquisar no dicionário o significado da palavra "solidário", para perceber se estava a entender bem ou se era do meu sono. Pude ler "Que tem interesses e responsabilidade mútua." Hum, não, afinal eu estava a entender bem: isto está mesmo descontextualizado e não tem nada a ver com o assunto. Quem constrói a solidariedade é todo e qualquer cidadão (independentemente de cor, tamanho, orientação sexual, cor do cabelo, estupidez natural ou tamanho do nariz) que tenha um acto de solidariedade. Um gay não é solidário só porque gosta de homens? Onde está a falta de solidariedade aqui?)

Quem aposta na maternidade e na paternidade dignas?
(Depois da manipulação fraca surgem os insultos. Típico de um discurso sem fundamentos. Hum... eu aposto numa maternidade e numa paternidade dignas. O meu pai e a minha mãe também. Os meus colegas também. E professores. E amigos (heteros, gays, assexuados...). O que é que isto tem a ver com a adopção por pessoas do mesmo sexo? É pouco digno? Se fossem de sexos diferentes mas existisse um mau ambiente familiar, se fosse apenas uma pessoa, se fosse uma adopção por um casal heterossexual... contra isto não há marchas. Nunca vi uma contra a violência dentro das famílias, por parte destas tão preocupadas pessoas.)
 
Quem ensina nas escolas?
(Posso rir-me? Obrigada. Quem ensina nas escolas? Os professores. Uh, boa. E mais? Há professores altos, gordos, ruivos, morenos, heterossexuais, barrigudos, gays, casados, solitários, irresponsáveis, responsáveis, engraçados... Mais características? E não é o facto de um professor meu gostar de uma mulher ou de um homem que muda a forma como ele me ensina matemática, português, biologia ou química...)
 
Quem trabalha e gera riqueza?
(Ok, agora os gays não trabalham. Esta pergunta acho que era retórica.)
 
Quem faz a história?
(As pessoas... entre elas, gays. Os homossexuais são pessoas. Existem na sociedade. Têm tanta intervenção nela como os outros. Gostar de homens ou mulheres não muda nada disto.)
 
Quem decide o Futuro da Sociedade?
Tu e Eu. Homem e Mulher.
(Boa! Concordamos! Eu, tu. Homens e mulheres. Qualquer que seja a relação entre eles!)

Queremos manifestar:
Que o casamento é entre um Homem e uma Mulher.
Que cada criança tem direito a um Pai e uma Mãe.
(Volto a pedir-vos que vão dizer isso às crianças que só têm um pai ou uma mãe. Ou que vivem com os avós. Todas estas minorias fazem a maioria das crianças. Posso dar um exemplo concreto: no ano passado, na turma da minha irmã, só ela e um amigo é que tinham os pais juntos. Os outros colegas tinham os pais separados... e sofriam muito com isso. E, atenção, eram HETEROSSEXUAIS. Vamos fazer uma marcha contra isto?)
 
Que a FAMÍLIA faz a Sociedade.
(Sim, concordo, quaisquer que sejam os elementos que a constituem.)
 
Que a maternidade e a paternidade são valores sociais.
Que os Pais têm o direito à liberdade para educar os seus filhos.
(Pena que a maioria não usufrua dela. Há quem queira usufruir e não lho permitem.)
 
Que a solidariedade nasce, em primeiro lugar, na Família.
(Conheço tantos gays solidários como heteros. Volto a perguntar: o que é que tem a ver?)
 
Que a Escola ensina, ajuda e apoia as famílias.
(Sim, é verdade... os professores gays são tão capazes como os outros.)
 
Que a primeira escola de vida é a Família.
(E é aí que deve começar-se a incutir valores como o AMOR, a TOLERÂNCIA e o RESPEITO. E não a tradição cega.)
 
Que a riqueza de um País está nos Homens, nas Mulheres e nas crianças.
(Sim, quer se apaixonem por homens ou por mulheres.)
Que a história é escrita por homens e mulheres e não pelo Estado.
(Homens e mulheres que têm intervenção no Estado.)
 
Que o Futuro da Sociedade, em democracia, é escolhido pelo Povo.
(Sim, que escolhe um representante. Se existissem referendos para cada lei...)
 
Que o Poder respeitará a cultura e a vontade da maioria.
Que a cidadania se exerce.
(Verdade! E que tal começarem a votar nas eleições? É que querem tanto exercer uma cidadania... onde? Não sei. A abstenção ganhou.)
 
Por isso, nós Mulheres e Homens Livres de Portugal temos o direito a decidir,
pelas Crianças, pelo Casamento e pela Família.
Família e Casamento exigem o Referendo!
Nunca vi tanta gente preocupar-se com a família. Agora vejo bêbados que batem na mulher e nos filhos a dizerem que "os paneleiros vierem estragar o conceito de família" e que "os putos não podem ter dois pais que isso não lhes faz bem à mioleira." Alguém que saiba e compreenda o que é uma família, os valores que lhe devem ser inatos, os pilares necessários para um crescimento saudável e, mais importante que tudo, que reconheça que o elemento básico é o amor... não pode estar contra isto. E o mais engraçado é que a hipocrisia dos portugueses é enorme. Assinam petições para que haja referendo sobre o casamento homossexual, dizem que o povo precisa de voz! Mas quando chega a hora de votar, nas eleições para eleger um representante que toma este tipo de decisões, como envolve outro tipo de responsabilidade... ganha a abstenção. No mínimo contraditório...
Preocupem-se com os casais que já têm filhos. Esses sim, não estão a fazer bem o seu papel. Não queiram desviar as atenções... As escolas cada vez mais apresentam queixas ao Ministério da Educação devido às consequências da falta de educação que as nossas crianças têm. Concentrem-se naquilo que parecem defender com tanta convicção: a Família, as crianças. As vossas. Enquanto não lhes garantirem isso permitam que alguém trate do resto. Desviar as atenções é hipócrita.
Viva o Amor e a Família!

segunda-feira, novembro 16, 2009

:Aleflavismo #5



A diferença entre o real aparentemente lógico e o irreal aparentemente ilógico

sábado, outubro 31, 2009

:Dogville - Créditos finais



Esta brilhante sequência, de Dogville, que hoje vos deixo, vem a resumir o que é a pessimista saga dos EUA de Lars Von Trier. Acaba assim mais um especial, em parceria com os blogs CINEROAD, seeSAWseen e Split Screen. Não deixem de esperar pelo quadro final das classificações e, também, uma nova promoção para o Novembro próximo.

domingo, outubro 25, 2009

:Referendo - sim ou não?


Formado o novo governo  do segundo mandato de José Sócrates, parece que o PS quer, tal como indica o Jornal de Notícias, "despachar" a questão da legalização dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo "antes da discussão do Orçamento do Estado." Ora, se isto é uma questão de apressar algo delicado ou não, pessoalmente não o posso dizer - mas estando tão certo que o partido se ocupará, muito brevemente, sobre este assunto, também seria de esperar que a contestação chegasse, mascarada, claro de associações de defesa à família (...).


Dezenas de associações ligadas à defesa da família reuniram-se ontem para ponderar a hipótese de pedir um referendo sobre os casamentos homossexuais. Para já, o PS recusa porque quer resolver a polémica rapidamente.
A hipótese começa a ganhar força nos movimentos e associações de defesa da família, embora "ainda não haja uma posição final", revelou ao JN Isilda Pegado, Presidente da Federação Portuguesa Pela Vida. A única coisa com que todos concordam, garante, é "que o país não admite que esta matéria possa se tratada apenas em sede parlamentar".
As condições políticas ainda não estão de feição no Parlamento para convocar uma consulta popular. Francisco Assis, líder parlamentar do PS, garantiu ao JN que "não haverá abertura" e BE, PCP e Verdes são contra a ideia de referendar os direitos dos homossexuais. "O casamento entre pessoas do mesmo sexo é uma matéria para ser discutida no Parlamento", disse ao JN o líder parlamentar socialista. E é uma questão prioritária: "não vejo razão para protelar", respondeu à pergunta sobre se o assunto deve estar resolvido antes da discussão do Orçamento do Estado, ou seja, até Dezembro.
Cerca de 40 representantes de movimento e associações de todo o país estiveram ontem reunidos em Lisboa com o casamento de homossexuais em agenda. Isilda Pegado reconhece que "muitas pessoas têm contactado a Federação com vista a levar para a frente um referendo sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo", mas por enquanto a hipótese não passa de "uma reflexão".
Ontem, Claúdio Anaia, que falou em nome de um grupo de militantes socialistas católicos, afirmou à Lusa estar disposto a integrar uma plataforma "multipartidária" que comece de imediato a recolher assinaturas. A convicção de Anaia é que "a maioria dos portugueses é contra o casamento homossexual" e contra "a adopção de crianças por casais homossexuais".
A adopção é o tema que ainda divide os partidos favoráveis, com o PS e o PCP a levantarem dúvidas, enquanto o BE aceita pacificamente. Mas no essencial os partidos da esquerda entendem-se. E mesmo o PCP já mudou de posição, tendo votado favoravelmente o projecto que os Verdes apresentaram na anterior legislatura.
"A proposta de referendo vem fora de tempo", declarou o líder da JS ao JN. "É uma posição alarmista e desesperada de quem quer condicionar a discussão porque prevê que o processo de aprovação seja rápido", enfatizou Duarte Cordeiro.
O ex-bloquista Miguel Vale de Almeida, eleito nas listas do PS, sublinhou ao JN que o casamento de homossexuais "é um assunto para ser resolvido ao nível parlamentar de uma forma célere".
"Não é referendável porque não se referendam os direitos de ninguém", declara. Segundo o deputado "as associações de defesa dos direitos dos homossexuais são contra a ideia de referendo que comportaria o risco de "colocar os direitos de uma minoria nas mãos de uma maioria".
Isilda Pegado responde que não é o direito de uma minoria que está em causa. "Essa minoria já tem o direito que reclama. O direito de viver como outras pessoas, nas suas circunstâncias física e psíquica próprias do homossexual. E os seus afectos não são sindicáveis pela lei", conclui.
(Fonte)

Se, por um lado, seria mais democrático e mais justo de um ponto de vista social que houvesse o proposto referendo (dando, à partida, lugar para o confronto de argumentos de um "sim" necessário e um "não" falacioso e consciencialização nacional do tema), por outro seria menos democrático e menos justo de um ponto de vista social que houvesse o proposto referendo (já que, sabendo-se desde já que a  grande  parte da população portuguesa é, sobre isto, ignorante e homofóbica, invalidando-se o seguimento da legalização, ia-se pôr de parte, uma vez mais, a minoria que é a comunidade LGBT).
Não esqueçamos que a sociedade aprende com a lei - e uma vez legalizado um assunto é mais provável que haja uma maior aceitação deste (basta compararmos o exemplo da nossa vizinha Espanha, onde, a princípio, a maioria se opunha contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo e, agora, acontece o oposto).

quarta-feira, setembro 30, 2009

:Quando a imoralidade e a arte se encontram



Era, apenas, uma questão de tempo para que o adormecido mas nunca esquecido "caso Polanski" fosse reactivado numa altura inesperada - fugido das autoridades norte-americanas desde 1978,  foi preso em Zurique (onde receberia um prémio pela carreira) o cineasta, agora com 76 anos de idade, que nos trouxe "Chinatown", "Rosemary's Baby" ou o inesquecível "The Pianist", por ter tido relações sexuais com uma rapariga de 13 anos (que, doravante, não era já virgem). E foi no despoletar da sua detenção que as opiniões explodiram e dividiram-se, quer na comunidade artística como política: por um lado, temos os que defendem o realizador (Woody Allen, Pedro Almodóvar, Martin Scorsese, David Lynch, Luc e Jean-Pierre Dardenne e a própria vítima, Samantha Geimer) e, por outro, os que defendem a punição judicial do crime de "Humbert Humbert" (Luc Besson, vários deputados e ministros do Parlamento Europeu e Francês). Parte-se do pressuposto que a lei é, de forma a garantir estabilidade e funcionalidade na Justiça, universal para todos e é um facto que o que cineasta fez era e é punível judicialmente. Por outro lado, temos o perdão de Geimer o seu desejo de, visto que foi algo ocorrido há trinta anos atrás, esquecer o passado; o alegado consentimento evocado por Polanski aquando do acto. Sendo assim, sendo este caso particular e único, diante estas circunstâncias, será legítimo continuarmos a considerar moralmente incorrecto o ocorrido?, será que é legítimo condená-lo?, não bastará o perdão de Samantha para que o crime seja absolvido ou será que, como muitos referem, "um pedófilo é um pedófilo" e tem que pagar pelo que fez? É uma problemática que, mais do que legal, é sobretudo de ordem ética - e não, os que defendem a libertação de Polanski (que deixou  pendente "The Ghost", o seu novo filme que estava a ser produzido), não defenderão, certamente, os abusos sexuais. A minha opinião não se encontra, ainda, formalmente formada, mas agora peço-vos que partilhem a vossa em relação a este caso, que anda na ordem do dia na comunicação social e não só.

domingo, março 29, 2009

:"Cannibal Holocaust"


 À pergunta "Qual foi o filme mais perturbador que alguma vez viste?" poderia facilmente pensar em algum filme de terror gore ou de guerra que me tivesse impressionado... sem esquecer, claro, a etapa da vida em que vi determinada obra. No entanto, há que ter em conta que nada é retratado ao acaso. E, nos tempos coevos, sabemos que encontramos sensacionalismo polémico e niilista por todo o lado: nos videojogos, na televisão e no cinema vemos a toda a hora violência da mais gratuita que existe (o que motiva, na geração presente, actos chocantes como os massacres de que temos conhecimento nos estabelecimentos escolares). Contudo, temos de saber que limites éticos deve chegar o Cinema. Não estou, obviamente, com esta publicação, a promover qualquer tipo de censura artística, até porque um dos valores que mais prezo é o da liberdade de expressão. Mas há limites para a liberdade de qualquer um.
Criei este post a propósito de um filme italiano que vi recentemente, o qual podemos considerar um snuff movie. Cannibal Holocaust, de Ruggero Deodato - 1980, é o mais cruel e desumano filme que vi, não propriamente em termos de qualidade (até porque há um claro estudo e trabalho prévio no que à manipulação dos sentimentos do espectador diz respeito), mas em conteúdo. O filme versa a história de um antropólogo que investiga o desaparecimento de uma equipa de realizadores de documentários na Amazónia, Brasil. Se a estupidez máxima é alcançada a retratar os brasileiros como falantes da língua espanhola, então a parte mais nojenta é mostrada de forma imensamente  incompreensível. O que acaba por se suceder é o confronto dos "civilizados" com os indígenas canibais. Se, por um lado, conseguimos apreender uma crítica à sociedade ocidental contemporânea (que, em situações limite, volta praticamente à Idade da Pedra), por outro, achamos um extremo exagero mostrar, de forma tão gráfica (e porque é, realmente verdadeiro, sem qualquer tipo de efeitos especiais à mistura) a morte brutal e insensível de vários animais - seis, ao todo: um quati, uma tartaruga, uma aranha, uma serpente, um macaco-de-cheiro e um porco. Matar é arte, agora? (sobre isto podemos ver um ensaio muito bom em "Rope", de A. Hitchcock). E isto sem contar com as (encenadas) cenas de canibalismo puro e de violação sexual. Pergunto-me: qual a verdadeira razão desta incrível desumanidade? Criticar ou criar, simplesmente, controvérsia?  O primeiro motivo parece não ter sido tido em conta pelo realizador que, depois de preso pelas autoridades italianas, fez um pedido de desculpas pelo facto de ter assassinado os seres vivos mas que, ironicamente, está a preparar uma sequela do filme a estrear este ano.
Não vejam este filme. Não o tomem como um desafio ou coisa semelhança. Simplesmente não queiram perturbar a vossa mente. Fi-lo consciente, sabendo que ia ter uma experiência sensorial bastante abaladora. Mas é desperdício puro. Mas faz-me ver, agora mais fortemente do que nunca, que é necessária a consagração dos direitos dos (restantes) animais, concedendo-lhes protecção, para que isto não volte a acontecer.

domingo, fevereiro 15, 2009

:A homosexual with power... that's scary

It's fascinating to see how many European countries are getting with the program, even predominantly Catholic ones like Portugal and Spain. (Italy, of course, will never make it, because of the absurdly heavy-handed influence of that bastion of sexual repression and closeted homosexuality - la Vaticana!).
It's interesting how it's always the more progressive countries, where logical and humanistic thought is valued, that are in the forefront of advances in this area, and other human rights too.
Tragically, the U.S. is a backward, church-ridden society, founded by Puritans, and they're busy wringing their hands about it all -- all while spending time reading the prurient reports of OTHER people's private lives in the tabloids.... So sad. They may never get there.
Cito esta resposta a um tópico dos fóruns do IMDB acerca da reacção do primeiro-ministro em relação a "Milk" que, se ainda não sabem, recomendou-o à população portuguesa já que aludia à sua recente proposta de, nas próximas eleições, caso sair vencedor, tornar legal o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo (que, como vocês já sabem, é um tema que se relaciona mais ou menos comigo por diversas razões e que me interessa discuti-lo). É bastante curioso como Sócrates pretende sair como o liberalista, apresentado o partido como a "verdadeira força da esquerda progressista, da esquerda moderna, da esquerda do povo", depois do que aconteceu no ano passado. De qualquer das formas, e não querendo afigurar-me demasiado como partidário, apoio-o, já que o tema parece ter suscitado nos portugueses o início de um debate que já há anos era necessária (leiam o jornal Público e vejam as mentes portuguesas geniais e nada  ignorantes nos comentários). Anyway, voltem a ler o que vos citei, de um norte-americano, e digam-me se acham que Portugal, frente a países como os Estados Unidos, saboreia mais a onda de mudança de mentalidades. E, já agora, se ainda não opinaram, digam-me o que acham sobre o assunto, a legalização do casamento (que implica, necessariamente, a adopção, de acordo com a lei). Acham que deve ser um assunto digno de referendo? Qual a vossa posição em relação ao PS, depois disto? Pronto, fica aberta a discussão, depois de uma introdução mázinha :P
P.S.: Para os interessados, o tema do Prós e Contras da RTP1 amanhã é exactamente este. Depois, se achar necessário, comento.

domingo, dezembro 28, 2008

:"Talking during a Movie? Say Allo to my Leetle Friend"


Um homem disparou numa sala de cinema durante o "Benjamin Button". Porquê? Ok, vale mesmo a pena ler isto porque, apesar de ter mesmo acontecido, era uma boa coisa para as pessoas que abusam na conversa durante um filme aprenderem (como eu, às vezes, escusas de mandar vir, Sandra :p).

quarta-feira, dezembro 10, 2008

:Se me permitem vangloriar...

 
Parece-se que foi com ovos que ganhei o primeiro prémio do concurso escolar de fotografia relacionado com a comemoração dos 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que se faz hoje. A mensagem é simples, trata o primeiro artigo da declaração, e traduz, como bem se pode interpretar, a desigualdade ainda presente na sociedade. Como me disseram, o verdadeiro ovo de Colombo! Foi interessante ver como de todos os participantes da escola, 3 foram distinguidos da minha turma, eu incluido, ganhando um livro ("A Viagem do Elefante", de José Saramago, que já vos falei aqui) e uma pendisk, o que já é por si bastante bom! Enfim, já ganhei o dia :D Ah, e feliz comemoração dos direitos do Homem :)

segunda-feira, dezembro 08, 2008

:Prop 8 - O Musical

Decididos a opor-se contra o movimento californiano da Proposition 8 (que foi uma proposta política dada a conhecer a algum tempo atrás, que defendia a alteração da lei que legalizava o casamento entre pessoas do mesmo sexo na Califórnia, e que foi, surpreendemente, aprovada no dia de eleições presidenciais nos E.U.A.), Jack Black, John C. Reilly e muitas outras caras conhecidas juntaram-se num musical de três minutos, escrito por Marc Shaiman ("Hairspray"), muito engraçado :D A sério, vejam, que vale mesmo a pena. Onde estava este vídeo na altura da votação da prop 8? Enfim..!
See more Jack Black videos at Funny or Die

sexta-feira, julho 04, 2008

É preciso pontaria para se casar por amor!

A Igreja Católica continua a não esconder inúmeras contradições e parvoíces. Desta vez gerou polémica ao impedir os portadores de deficiências de casar apenas porque "não podem procriar". Um exemplo dessas proibições foi o de Pablo Damásio de Araújo, que possui paralisia cerebral e de Cláudia Araújo Vianna, que apresenta défice de aprendizado, que foram impedidos de casar pelo padre João Pedro Stawicki.
Pergunto-me que consistência tem esta proibição, que direito tem um padre para impedir duas pessoas que se amam de casar. Nos casamentos ouvimos sempre aquelas coisas muito românticas, de um casal estar junto no bem e no mal, e que o casamento é uma união entre duas pessoas que se amam. Não era o que este casal queria fazer? Nunca ouvi num casamento um padre a dizer que o casamento é uma união com o objectivo único de procriar e penso que, se muita gente o soubesse, não se teria casado. Quantas pessoas não se casam e depois vêem que são inférteis? Quantos casais decidem não ter filhos? Adoptar? E a igreja não de opõe. Outra coisa que ouço muito é que nunca se deve casar por interesse, que se deve casar por amor. Não me parece que a igreja o permita sempre, pois se duas pessoas se juntam apenas para procriar não é amor, é interesse.
A Igreja cai no ridículo e nem sequer disfarça. Se é assim tão contra o aborto, então porque não deixa este casal casar? É garantido que nunca vão abortar! Deviam aliar-se, hein? Ou então tomemos o exemplo dos homossexuais. Num casamento homossexual é um bocado difícil existir um aborto! A Igreja não devia então apoiar estes casamentos?
Anda tudo trocado, até a suposta fonte de moral se revela a mais imoral de sempre.
Desejo já agora as minhas felicidades ao casal, que mesmo sem festa religiosa organizou uma festa e estão agora juntos pelo amor.

segunda-feira, março 24, 2008

Aquilo que somos

Há dias acabei de ler um livro chamado O Fogo e as Cinzas, do autor português Manuel da Fonseca. De entre os contos que incorporam o livro, houve um, chamado igualmente de O Fogo e as Cinzas, que achei particularmente interessante e que me fez escrever este post.

No conto, encontramos um velho num café a relatar-nos a história da sua vida. Ele fala-nos dos amigos que antes lhe faziam companhia naquelas tardes passadas a beber café e sobre a perda do amor da sua vida, bem como doutras coisas. Achei este relato deprimente e com significado. Em primeiro lugar, porque é sobre uma vida falhada, sobre uma vida mal vivida e aproveitada.

Todos dizemos que devemos é gozar a vida, vivê-la intensamente, mas poucos o conseguem fazer. Todos ouvimos dizer que o tempo passa depressa e não poupa ninguém, mas só nos apercebemos disso quando já é tarde. Todos temos a noção de que, mais cedo ou mais tarde, ficaremos sozinhos, desamparados, mas vivemos na ilusão de que isso é mentira. Todos temos receio de envelhecer, apesar de isso ser uma coisa natural; afinal de contas, faz parte do ciclo da vida.

“A vida de um idoso é recordar o seu passado; se tem boas recordações, é feliz, se teve uma vida má, não é.”, dissera o pai de uma amiga minha, há mais ou menos dois meses, quando jantávamos. No conto, o narrador é uma pessoa que pertence, claramente, ao segundo grupo. Ele vive refugiado nas lembranças, no pensamento, isolado em si mesmo. Mas… e se esse eu me tornar nesse velho?
Já imaginaram o que deve ser chegarmos ao fim da linha e apercebermo-nos de que falhámos, de que devíamos ter feito as coisas de maneira bem diferente e de que não temos mais oportunidades? De que estamos sozinhos porque não fomos mais ousados? De que não temos bons momentos a recordar? De que vamos morrer no esquecimento, sem ninguém para sentir a nossa falta? De que, no fundo, a nossa existência foi quase… em vão? Pois, eu tenho vindo a pensar nisso… e acho que deve ser terrivelmente penoso chegarmos a essas conclusões na fase final das nossas vidas.

Perdidos pelos parques, sentados nos cafés… todos nós já encontrámos idosos assim, quase vegetativos, a pensar na vida. Já imaginaram como deve ser viver assim, sem perspectivas de vida, sem motivos de felicidade? Eu já. E, sinceramente, não gostei de me pôr no lugar deles.

Por isso, acho que devíamos realmente reflectir sobre dois aspectos:
Se queremos tornar-nos naquelas pessoas e se é correcto existirem pessoas abandonadas nos lares pelos seus familiares.
Pensem e tirem as vosssas conclusões, porque eu já tirei as minhas…

Citação do dia:
Georgia Byrd: Next time… we will laugh more, we’ll love more; we just won’t be so afraid.
Do filme Tudo o que sempre Sonhei (Last Holiday), que vi há uma semana e gostei muito. E, como tem muito a ver com a temática do post, acho que a citação se enquadra perfeitamente. Aconselho a verem!

sábado, março 01, 2008

Sonhos didáticos?

Não é só em Portugal que os alunos já não sabem o que é uma aula. Mas isso, todos sabemos. O que não devem saber é que agora os alunos até se acham no direito de dormir nas aulas. Penso que a ministra devia começar então a ir à Moviflor ver umas caminhas em saldo.
Vou dar-vos um exemplo: um aluno, numa escola americana na cidade de Danbury, no estado de Connecticut, processou a escola por ter sido acordado enquanto dormia na aula. À primeira vista parece absolutamente ridículo (e é) mas a aluna argumenta: como tem problemas auditivos, a pancada que a professora deu na mesa para a acordar causou “danos muito severos no seu tímpano esquerdo”.
Tudo bem que o aluno deve reclamar os danos sofridos... mas não quando a culpa é sua. Dormir nas aulas? Pensava que um aluno deveria estar nas aulas para ir buscar matéria para realizar os testes e ser alguém, no futuro. Mas cada vez mais os alunos pensam que vão às aulas fazer um favor aos pais e aos professores. Será que não percebem que os pais é que lhes estão a fazer um favor em deixá-los ir às aulas? Antigamente, quando a escolaridade não era obrigatória todos queriam frequentá-la, agora que é obrigatória ninguém quer. Lá está a velha história de tirar a papa aos bebés para finalmente eles a quererem comer.
Era fazer-lhes o mesmo.

terça-feira, agosto 28, 2007

:“Vincent”, de Tim Burton


Nesta fantástica curta-metragem de 1982 que o Miufa me deu a conhecer, vemos a história de Vincent Malloy, um rapaz que, apesar de se mostrar agradável, esconde um enorme desejo de ser Vincent Price, o actor de filmes de terror. (For a boy his age he’s considerate and nice, But he wants to be just like Vincent Price.) Sonha com o momento em que os seus tenebrosos anseios se realizem. (There he could reflect on the horrors he’s invented, And wander dark hallways alone and tormented.) Com um argumento escrito de uma forma poética, o final reflecte a personalidade da personagem, que lê Edgar Allan Poe, citando “O Corvo”. (“And my soul from out that shadow floating on the floor, Shall be lifted – Nevermore!”) O melodrama com que o próprio Vincent Price narra a curta-metragem é, a meu ver, genial, transpondo cada sentimento para o espectador. (The room started to sway, to shiver and creak. His horrid insanity had reached its peak.) Tim Burton, de filmes como “Eduardo Mãos de Tesoura”, ou “A Noiva Cadáver”, fez novamente um sublime trabalho, com “Vincent”, que merece ser revisto vezes sem conta.