quarta-feira, julho 13, 2011

5 perguntas (ii): Pedro Ponte

Pedro Ponte, redactor do portal de cinema Ante-Cinema, escreve na rubrica semanal 5 perguntas, que confrontará vários convidados com uma série diferente de questões sobre a sua relação com o cinema. Muito obrigado, Pedro, pela tua colaboração.

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1. O filme que viste mais vezes?

Jaws”, de Steven Spielberg. Não hesito porque é uma questão de lógica; não sei ao certo quantas vezes o terei visto, mas quando era criança (e sim, sei que não é o filme mais adequado para uma criança) ficava quase todos os dias durante a semana, depois das aulas, em casa de uma tia minha que tinha poucos filmes em VHS, sendo um deles esse marco do cinema de terror. Muitos outros provavelmente se aproximarão, incluindo muitos filmes da Disney, mas este provavelmente está em primeiro. Adorava a Disney, mas a minha curiosidade em ver se o tubarão, a música, a antecipação e tudo o resto continuariam a mexer comigo falavam mais alto. Hoje, continuo a ver o filme de vez em quando.

2. 3D ou 2D?

Não tenho grandes problemas em afirmar que o 3D não trouxe rigorosamente nada de positivo ao cinema, e tenho poucas ou nenhumas dúvidas de que se tratou apenas de uma jogada comercial. A técnica não é nova, já existia desde os anos 50, e há uma razão pela qual nunca “pegou”: é caro. Muito caro. E foi apenas na década de 00 que se chegou ao ponto de ser financeiramente viável filmar (ou converter) em 3D. É essencialmente ilusão e o brincar com a percepção de profundidade, coisa que o cinema faz desde sempre. Portanto, continuo – não céptico – mas com a plena noção de que não é, simplesmente, necessário. Mesmo dentro dos géneros em que é mais comum – acção, aventura, animação – já foram feitos filmes no passado que continuam, inclusive nos dias de hoje, a ser tão ou mais espectaculares que o “Avatar”. Os filmes de acção do James Cameron ou dos irmãos Scott eram em “2D” e conseguiam ser o epítome da adrenalina e diversão; a trilogia de “O Senhor dos Anéis” idem e será para sempre um marco na história do cinema; um realizador como Christopher Nolan continua a fazer filmes de acção que derrubam barreiras e fá-lo sem precisar de 3D; o período áureo da Disney implicava animação desenhada à mão e continua actual. A única excepção que consigo encontrar chama-se Pixar – são os únicos que aceito que tirem a taxa do meu bolso, mas são também génios. E até eles já fracassaram.

3. Uma medida para as salas de cinema portuguesas?

Correndo o risco de bater numa tecla já muito batida, um maior controlo e rigor no que diz respeito ao comportamento das pessoas. Bem sei que os centros comerciais não vão a nenhum lugar e que é impossível que essas salas deixem de ser frequentadas por públicos pouco instruídos, muitas vezes adolescentes com o único interesse de ir ver algo para se distraírem. É algo que já aceitei e que sei que não mudará. Mas é importante não esquecer que, mesmo nessas salas, continua a haver público que foi ver um filme e que, como tal, exige silêncio, ausência total de telemóveis e distracções. Quem não respeitar essas regras – porque são regras – tem obrigatoriamente que ser proibido de impedir outros de desfrutar da experiência que é ver um filme.

4. Que ciclo falta fazer na Cinemateca Portuguesa?

Como frequentador da Cinemateca, não creio que possa ser feita nenhuma crítica fundamentada ao trabalho que é lá desenvolvido, independentemente das dificuldades que se têm verificado nos últimos meses. Quem vai à Cinemateca, fá-lo porque sabe que é o espaço perfeito para conhecer a história do cinema (é, afinal de contas, um museu), e têm conseguido trazer todos os meses obras essenciais e organizado ciclos interessantes, dos quais destaco o recente dedicado a Nagisa Ôshima. Pessoalmente, e apesar de apreciar clássicos e prezar ao máximo a oportunidade de vê-los em sala, gostaria de ver mais cinema feito a partir dos anos 90, década em que muitos autores brilhantes floresceram e fizeram a ponte entre o clássico e o actual. É difícil não pensar em Quentin Tarantino, que admiro imenso; uma retrospectiva integral da sua obra seria algo que adoraria ver.

5. O último filme visto no cinema?

Bridesmaids”, de Paul Feig. Uma comédia por vezes típica, por vezes mais próxima da qualidade dos filmes de Judd Apatow.

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