domingo, maio 02, 2010

Brincadeiras Perigosas (I)

Antes de ser violento, o original Brincadeiras Perigosas, uma das maiores obras do austríaco, é sobre ser violento. A câmara, fluidamente frontal e directa, deleita o mais interessado pelo terror, pela gratuidade que acaba por caracterizar toda uma cultura e sociedade. Mas, por outro, a sua crueza, a ousadia do casamento entre o protagonista e o público e da sequência do comando, indubitavelmente genial, acaba por condenar esse mesmo interesse, por denunciar a desumanidade inserida nesse voyeurismo, nessa vontade expressa e singular de ver o medo, de ver o horror, de ver o fio da vida cortado num piscar de olhos. É um filme que se vê e revê, múltiplas e milionésimas vezes. Basta passearmos na rua, sentarmo-nos à mesa ou  no sofá, carregar no botão para ligar a caixa mágica, arqui-inimiga de Haneke, e assistir à Morte.

7 comentários:

  1. Voyeurismo e "sobre ser violento" são mesmo as expressões chave para este brutal fenómeno que é Brincadeiras Perigosas. Gostei do texto!

    Abraço

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  2. É o meu preferido dele. Já afirmei várias vezes e continuo a afirmar que, para mim, a versão americana é desnecessária.

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  3. Obrigado, Marcelo... :)

    Álvaro, quanto ao remake, escrevi uma série de perguntas para reflexão no post que linkei neste. ;)

    Abraços

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  4. O filme é espantoso e carrega esse mesmo fardo, sobre ser violento e o porquê(?)
    Uma das respostas mais plausíveis mas mais abominantes é o facto de ser para entretenimento...

    Abraço
    Cinema as my World

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  5. Bruno, abominante é uma boa palavra para a resposta encontrada. É triste mas é o que temos.

    Abraço

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  6. Eu não vi o original mas gostei imenso do remake americano (que de resto é uma cópia). Excelente dissertação sobre a violência.

    Abraço

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  7. A versão americana poderá ser desnecessária, mas só em parte. Depende daquilo que procuramos nela. Penso que é um caso muito interessante para estudo.

    Cumps.
    Roberto Simões
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