domingo, fevereiro 28, 2010

Brincadeiras Perigosas (II)

Que realizador recria o seu próprio o filme, cena por cena, exactamente como o original (crítica em breve)? Qual a razão minimamente lógica para o fazer? Se, em termos comparativos, podemos considerar que a obra auto-plagiada de Michael Haneke, “Funny Games U.S.” (direccionado, sem medos e fachadas, para um país que valoriza cada vez mais os remakes cinematográficos), tem interpretações obviamente desiguais do protótipo, podemos considerar que Naomi Watts e Michael Pitt estão, apenas e só, de tirar o fôlego ao espectador. Será este trabalho um grito às reproduções norte-americanas ou apenas um meio crítico de demonstrar como uma obra se torna apenas acessível ao actual mundo globalizado se for falada em inglês? Ou, ainda, uma forma para criticar a cultura americana por promover os temas que o filme bem estuda (a violência, o sadismo da comunicação social e do próprio cinema)? A ousadia do austríaco levanta, também, uma pergunta filosoficamente pertinente — estará este projecto susceptível de ser considerado uma obra de arte, não sendo inédito? Ficam as questões e a promessa de que temos perante nós um grande filme.
8/10

7 comentários:

  1. Um meio crítico de demonstrar como uma obra se torna apenas acessível ao actual mundo globalizado se for falada em inglês.

    Uma forma para criticar a cultura americana por promover os temas que o filme bem estuda (a violência, o sadismo da comunicação social e do próprio cinema).

    Uma obra de arte, certamente.

    Não conhecesse eu Michael Haneke e, mesmo sem ter visto ainda este U.S., não me habilitaria a tais respostas. Contudo, e para não correr um risco demasiado, verei este título ainda esta semana, e depois darei notícias.

    ;)

    Cumps.
    Roberto Simões
    CINEROAD - A Estrada do Cinema

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  2. Roberto, as tuas evidências não são partilhadas por todos, como nos parece claro. Mas estou de acordo contigo. Vê, nem que seja como curiosidade (como eu o fiz em relação ao original). :)

    Abraço

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  3. Claro que assistirei à versão! Não há um único factor que me leve a pensar em não assistir ou a temer alguma coisa, muito pelo contrário.
    Há quem tenha muitos preconceitos, às vezes mesmo alguma ignorância, mas o facto do remake ser do próprio Haneke faz do filme um acontecimento muito especial e curioso. Verei, com certezas e sem hesitações.

    Cumps.
    Roberto Simões
    CINEROAD – A Estrada do Cinema

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  4. Ainda só vi a original... é importante deixar passar algum tempo para assistir ao remake. Mas inegavelmente, é uma obra poderosíssima!

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  5. É preciso ter um grande orgulho no Cinema que faz pois não mudou nenhum frame da obra o que significa que o remake é como o original e o original é como o Haneke fez, sem mais nem menos.
    Por outro lado, mesmo não sendo inédito é, certamente, uma obra de arte mas não se pode dizer que é uma obra sem precedentes pois é uma cópia mas é uma cópia muito bem que feita que introduz Michael Pitt que tem uma das melhores interpretações da década!

    Abraço
    http://nekascw.blogspot.com/

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  6. Já vi. E penso que a minha crítica fala por si, ainda que implicitamente, daquilo que eu acho do facto de Haneke ter feito o remake do seu próprio filme ;)

    5/5

    Cumps.
    Roberto Simões
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