quarta-feira, novembro 04, 2009

:Há que repetir?


Quando se equivale um referendo a um instrumento máximo da democracia, então penso que entramos no domínio do absurdo, e por duas simples razões. Por se ter conhecimento a priori de qual seria o resultado deste, e porque um referendo desta natureza é antidemocrático (já que implica a sublevação e tirania da maioria que se caracteriza ainda, infelizmente, pela sua irreflexão, ignorância e egocentrismo). Os Direitos Humanos não são, simplesmente, discutíveis - são algo, à partida, deveriam nascer com todos os presentes e futuros cidadãos. A sondagem do lado foi retirada do online jornal Público (a qual poderão votar clicando aqui), surgindo num contexto em que o Partido Socialista, pondo de parte a hipótese de deixar que a população portuguesa tenha a última palavra, apresentará, em breve, uma proposta de legalização dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo (pondo, contraditoriamente, de parte a adopção, o que bastante me indigna - não é este o mesmo partido que se propôs a remover quaisquer discriminações baseadas na orientação sexual?), e num contexto em que associações familiares, feministas e religiosas lutam para referendar esta matéria (elas só querem impedir que se torne uma realidade, nada mais).

7 comentários:

  1. Também o acho bastante antidemocrático eles próprios na sua campanha anunciaram que iriam remover quaisquer descriminações? isto é só mais uma prova do poder que eles nos confiam e das verdades que eles promovem...
    É bastante indignatório

    Abraço
    http://nekascw.blogspot.com/

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  2. Ainda bem que o PS pôs de lado a ideia de um referendo. Referiste muito bem o meu ponto de vista. Para alguma coisa existem órgãos de soberania, porque não legislar tal questão directamente no Parlamento?! Se foram nomeados, foi para tomar decisões.

    Está visto e mais que sabido que os referendos - especialmente em Portugal - não fazem sentido, principalmente com os elevados níveis de abstenção que temos, juntamente com as mentes retrógradas.

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  3. Nekas,
    Apesar de o PS ter excluído qualquer hipótese da realização de um referendo (o que demonstra a valorização democrática), estes também se vêm a contradizer quando põem de parte a adopção - algo que, apesar de compreensível (a sociedade portuguesa ainda não se encontra preparada para aceitar, em conjunto, o casamento e adopção entre casais do mesmo sexo), ainda me continua a revoltar.

    Tiago,
    É precisamente isso que defendo - se há Governo, é para este, de forma responsável, tomar as decisões pela população. O referendo é algo de escusado.

    Abraços!

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  4. Não não é Flávio. Qualquer referendo é útil. Porque não é justo o governo, independentemente de ter sido escolhido pelo povo, ou pela maioria do povo, tomar decisões sem conhecer a opinião do povo. E mais, se o povo não concorda, qual é a moralidade de instaurar leis ou decisões contra este, em prol de uma minoria? Se essa minoria está mal que se mude.

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  5. Sócrates, por mais que tente, será sempre um bode discriminatório, não é? :) parece que sim. Vamos lá ver. Começo pelo Álvaro Martins: Concordo (não poderia, aliás, discordar, sendo democrata) com a sua frase onde diz "Porque não é justo (...) tomar decisões sem conhecer a opinião do povo". E é exactamente por isso que o referendo não tem qualquer sentido em relação a este assunto. Fazia parte do programa do Partido Socialista, explicitamente, a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo. O PS ganhou as eleições. Fazia parte do programa do Bloco de Esquerda a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo. O BE elegeu 16 deputados. O Partido Comunista deixou claro durante a legislatura anterior que votaria favoravelmente a este tipo de projecto. O PC elegeu 15 deputados. Formam maioria confortavel para passar a lei. O povo escolheu. O povo opinou.

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  6. Agora quero tentar enfiar a moeda na ranhurita do grande cofrezinho de porco que é o Flávio. Vamos lá ver uma coisa: tu és aluno de História... O que é que acontece quando um governo toma imensas medidas reformadoras e controversas de rajada? Mhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhm Depois responde-me

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  7. Ah, Peres, boa resposta.
    E boa pergunta. Compreendo, enfim, a razão mas é-me difícil aceitar. Algum dia há-de ser.

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