Foi graças ao The Joker que descobri que já há um trailer para a nova película de Gus Van Sant (de filmes como "Elephant" (8/10) e "Paranoid Park" (8/10)), "Milk", que conta com a participação do fantástico Sean Penn e ainda de actores como Diego Luna e James Franco. A fita expõe-nos a história de Harvey Milk (22 de maio de 1930 - 27 de novembro de 1978), que se destacou como o primeiro político assumidamente homossexual a ser eleito nos Estados Unidos da América e, acima de tudo, como um revolucionador no que toca aos direitos da comunidade LGBT. Não esquecendo o seu trágico fim, Milk é recordado neste filme dramático que vai ser com certeza digno de algumas nomeações da Academia. Ainda sem data de estreia marcada para Portugal (como não podia deixar de ser...), este filme deverá ser lançado aqui por volta de Fevereiro ou Março. Quem quiser ver o trailer na Apple que clique aqui ou veja aqui:sexta-feira, setembro 05, 2008
:Milk
Foi graças ao The Joker que descobri que já há um trailer para a nova película de Gus Van Sant (de filmes como "Elephant" (8/10) e "Paranoid Park" (8/10)), "Milk", que conta com a participação do fantástico Sean Penn e ainda de actores como Diego Luna e James Franco. A fita expõe-nos a história de Harvey Milk (22 de maio de 1930 - 27 de novembro de 1978), que se destacou como o primeiro político assumidamente homossexual a ser eleito nos Estados Unidos da América e, acima de tudo, como um revolucionador no que toca aos direitos da comunidade LGBT. Não esquecendo o seu trágico fim, Milk é recordado neste filme dramático que vai ser com certeza digno de algumas nomeações da Academia. Ainda sem data de estreia marcada para Portugal (como não podia deixar de ser...), este filme deverá ser lançado aqui por volta de Fevereiro ou Março. Quem quiser ver o trailer na Apple que clique aqui ou veja aqui:segunda-feira, setembro 01, 2008
:Blindness - Premiere Brasileira

Por que foi que cegámos, Não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão, Queres que te diga o que penso, Diz, Penso que não cegámos, penso que estamos cegos, Cegos que vêem, Cegos que, vendo, não vêem.Ensaio Sobre a Cegueira, José Saramago
quinta-feira, agosto 21, 2008
:Vicky Cristina Barcelona
Trata-se do novo filme de Woody Allen (de trabalhos como "Scoop" e "Match Point" que adorei) que nos mostra a história de Vicky (a estreante Rebecca Hall) e Cristina (a espectacular e actual musa de Allen, Scarlett Johansson), duas amigas americanas que vão no Verão de férias para Barcelona onde acabam por conhecer um pintor que as seduz (Javier Bardem - "Mar Adentro"). Enquanto que Cristina se entrega de imediato aos encantos dele, Vicky resiste visto estar de casamento marcado com um homem nos EUA mas apaixona-se por ele secretamente. Entretanto, a ex-mulher (Penélope Cruz) dele chega à cidade e Cristina tem um caso com ela. Tudo isto resulta, evidentemente, numa grande confusão sem um fim aparente à vista, mas podêmo-lo ver, espero eu, muito brevemente no cinema!quarta-feira, agosto 20, 2008
:Finalmente!

O escritor José Saramago terminou o seu novo livro, "A Viagem do Elefante", que conta a história épica de um elefante asiático chamado Salomão que, no século XVI, teve de percorrer mais de metade da Europa, anunciou hoje a Fundação Saramago.
"Escrevê-lo não foi um passeio ao campo: Saramago lançou-se a esta tarefa quando estava incubando uma doença que tardou meses a deixar-se identificar e que acabou por manifestar-se com uma virulência tal que nos fez temer pela sua vida. Ele próprio, no hospital, chegou a duvidar que pudesse terminar o livro", escreve no blogue da fundação a mulher do escritor, Pilar del Rio.
"Não obstante, sete meses depois, Saramago restabelecido e com novas energias pôs o ponto final numa narração que a ele não lhe parece romance, mas conto, o qual descreve a viagem ao mesmo tempo épica, prosaica e jovial, de um elefante asiático chamado Salomão, que, no século XVI, por alguns caprichos reais e absurdos desígnios teve de percorrer mais de metade da Europa", continua a presidente da Fundação Saramago.
O livro tem cerca de 240 páginas e deverá ser lançado no Outono.
A ideia de escrever este livro tem mais de dez anos e surgiu quando Saramago visitou a Áustria e entrou, em Salzburgo, num restaurante chamado "O Elefante", segundo a Efe, que falou com o escritor através de correio electrónico.
"Escrevi os últimos três livros na mais deplorável situação de saúde, nada propícia a sentimentos de alegria. Prefiro dizer: se tens que escrever, escreverás", disse Saramago, distinguido com o Nobel da Literatura em 1998.
Ainda no comunicado divulgado no blogue da fundação, do qual Pilar é a presidente, a Viagem do Elefante está “pontuado de acordo com as regras de Saramago, os diálogos intercalam-se na narração, um todo que o leitor em de organizar de acordo com a sua própria respiração.” No blogue (http://blog.josesaramago.org) está ainda disponível um fragmento do livro para leitura.
"Não é um livro mais, é o livro que estávamos esperando e que chegou a bom porto, o leitor. Salomão, o elefante, não teve tanta sorte, mas disso não falarei, aguardemos o Outono, e então sim: aí, em vários idiomas simultaneamente, poderemos comentar páginas, aventuras, desenlaces. Os materiais da ficção, que são também os da vida", acrescenta Pilar del Rio sobre a obra.
in Público, 19/08/2008
Mal posso esperar, como é óbvio! Já agora, o filme "Blindness", adaptação do brilhante "Ensaio sobre a Cegueira" estreia dia 13 de Novembro! Esperem post ;)
domingo, julho 13, 2008
O Véu Pintado
A segunda adaptação cinematográfica de “The Painted Veil” (em português, “O Véu Pintado”), história da autoria do francês W. Somerset Maugham, pode ser descrita como uma obra-prima única e intemporal, uma das pérolas do Cinema criadas na última década em que a Arte genuína de fazer filmes se sobrepõe a qualquer interesse financeiro.
Num período em que a indústria se volta cada vez mais para os Blockbusters e para as películas onde a acção – imediata e gratuita – é geralmente a personagem principal, é quase inevitável deduzir que um filme como este estaria longe de ser um êxito de bilheteiras: possuidor de um tom pesado demais para um filme romântico (ou não nos apresentasse logo nos primeiros momentos um casal destroçado e em crise) e excessivamente parado para as massas, estaria à partida condenado ao esquecimento, e os míseros sete milhões arrecadados nos cinemas americanos não são mais que a prova disso.Utilizando com sucesso a técnica “in media res” para nos pôr a par dos conflitos que precederam a viagem de Walter Fane, um bacteriologista eloquente e da sua mulher Kitty, jovem de linhagem abastada, algo ignorante e com ideais românticos, o argumento do filme, escrito por Ron Nyswaner (que também escreveu o aclamado “Philadelphia”), transporta-nos para uma China rural e bucólica (filmada de forma soberba por John Curran) numa trama onde são privilegiados os gestos e as personagens, onde os sentimentos são exteriorizados por subtilezas e onde a atenção ao detalhe é uma constante.
Edward Norton e Naomi Watts têm aqui interpretações dignas de Oscar - enquanto ele transmite de forma sublime a mágoa de alguém provocada pela traição do cônjuge, ela retrata de forma poderosa a sensação de abandono, desprezo e enclausuramento sentida por Kitty desde o momento em que abandonam Xangai. Quanto aos restantes membros do elenco, estiveram todos muito bem – quer seja Toby Jones, interpretando de forma mais leve a primeira pessoa com quem Kitty cria alguma proximidade na vila ou Diana Rigg, a quem coube o papel de Madre Superiora, que convence, indirectamente, Kitty a iniciar um processo de redenção.
E é esse, possivelmente, o principal tema do filme, a redenção dos erros do passado de Kitty e Walter enquanto casal pelas acções individuais do presente. Todos os pequenos acontecimentos, conversas e actos constituem, assim, cada etapa no penoso percurso de ambas as personagens, que culmina exactamente na aceitação do outro, no perdão mútuo: como Kitty diz em certa cena, It was silly of us to look for qualities in each other that we never had.
“The Painted Veil” é um filme marcante e a sua qualidade está presente em todos os departamentos: quer seja no elenco, com os excelentes Edward Norton e Naomi Watts a interpretar os papéis principais, na realização – a cena do poster é um bom exemplo disso, mas há muitas outras –, no argumento escrito de forma inteligente e cheio de bons diálogos, da autoria de Ron Nyswaner, no cenário, onde a China rural predomina, e na banda sonora, que arrecadou a Alexandre Desplat um Globo de Ouro. Funcionando como um híbrido fenomenal entre os brilhantes “Atonement” (9.5/10) e “The New World” (9.5/10), pelo já mencionado choque entre culturas e pelo ambiente aristocrata de que provêm as personagens, é uma obra extremamente bem filmada sobre as angústias pessoais de duas pessoas. Como qualquer grande história, a sua premissa aparentemente simples atinge gradualmente a complexidade característica da condição humana. E não foram precisas explosões para glorificar a jornada destas duas personagens – apenas a sensibilidade do realizador relativamente aos sentimentos de cada uma.