A famosa aplicação desenvolvida originalmente para telemóveis vai ter uma nova versão no grande ecrã. Este texto foi publicado originalmente no dia 8 de Julho de 2011, no site Dinheiro Vivo, que integra o Diário de Notícias. Pode ser lido integralmente aqui.
terça-feira, julho 12, 2011
segunda-feira, julho 11, 2011
As bandas musicais [ii]: A Grande Aventura de Pee-Wee (1985)
Victor Afonso, músico responsável pelo projecto Kubik e autor do blogue O Homem Que Sabia Demasiado, escreve a segunda edição d“As Bandas Musicais”, rubrica mensal em que um convidado escreverá sobre uma das suas bandas musicais de eleição. Muito obrigado ao autor por esta colaboração nO Sétimo Continente.
Estávamos em 1985 e Tim Burton era ainda praticamente desconhecido dos cinéfilos (tinha realizado apenas as curtas "Vincent" em 1982 e "Frankenweenie" em 1984). Burton tinha saído recentemente da Disney, na qual desempenhava a função de animador e onde não era propriamente compreendido por causa do seu imaginário estético negro e distorcido. Então, Burton teve a sua oportunidade de realizar a primeira longa-metragem, "A Grande Aventura de Pee-Wee", uma divertida, movimentada e imaginativa comédia sobre a alucinante aventura de Pee-Wee em busca da sua bicicleta. Pee-Wee Herman, a incrível personagem de eterna criança criada na televisão pelo incrível comediante Paul Reubens, era o centro desta tresloucada comédia itinerante de Burton, recheada de situações hilariantes e muita fantasia pelo meio. Para musicar esta fantástica aventura, Tim Burton convidou o seu jovem amigo pessoal Danny Elfman, que na altura fazia parte de uma banda new-wave intitulada Oingo Boingo. Elfman não tinha tido qualquer experiência anterior na composição de bandas sonoras originais para cinema, mas não hesitou em corresponder, com toda a sua criatividade, para a qualidade final do filme. Da linguagem pop-rock original dos Oingo Boingo, Danny Elfman aproveitou a veia fantasista e satírica, acrescentando-lhe uma orquestração clássica, ao mesmo tempo épica e surreal. Percebe-se isso logo na abertura do genérico inicial do filme, o teor da música de Elfman, com uma marcante secção rítmica quase circense (influência de Nino Rota e Ennio Morricone) e uma melodia irresistível de forte ressonância no espectador. É essa mistura entre o quase lirismo poético de Elfman (que viria a revelar-se, em todo o seu esplendor, na música que fez para "Eduardo Mãos de Tesoura") e a exuberância expressiva que fazem deste compositor um dos mais originais criadores de bandas sonoras dos últimos 25 anos. "A Grande Aventura de Pee-Wee" seria apenas o início da criatividade esfuziante de Danny Elfman em colaboração com Tim Burton: uma espécie de almas gémeas que se complementam através das imagens e dos sons.
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Tim Burton
domingo, julho 10, 2011
O pintor do cinema britânico
Um olhar sobre o perfeccionismo pictórico do cinema de Joe Wright, que foi o mais jovem realizador a abrir o Festival de Veneza com “Expiação” e que regressa às salas de cinema com o thriller “Hanna”. A primeira parte deste artigo foi publicada no dia 2 de Julho de 2011, com a revista Notícias Sábado, que integra o Diário de Notícias e o Jornal de Notícias.
O cinema de Joe Wright pode ser considerado como uma extensão do ofício dos seus pais, fundadores de um teatro de marionetas em Islington (onde o realizador nasceu no dia 25 de Agosto de 1972). Wright foi cedo influenciado pela arte de iludir o espectador, colaborando com os pais, realizando pequenos filmes com a sua Super 8 e representando em peças de teatro. A sua formação académica foi porém dificultada pelo grave problema de dislexia. Revelando ainda uma apurada apreciação pela pintura, deixou bem claro, enquanto não começou as primeiras criações, que não seria mais que um carteiro.
Para que o primeiro filme visse a luz do dia foi preciso que a determinação do inglês se mostrasse noutros campos. O seu percurso passou assim pela criação de telediscos e pela Camberwell College of Arts onde realizou em 1997 Crocodile Snap. Com esta notória curta-metragem, foi agraciado com alguns prémios e a oportunidade de trabalhar na BBC a partir de uma bolsa de estudo. É lá onde toma cargo, em 2000, da mini-série Nature Boy. Ainda na televisão, Wright mostra o seu talento em Bodily Harm (2002) e, sobretudo, no épico Charles II: The Power and the Passion, em 2003, onde desenvolve o seu estilo.
De facto, uma estreia cinematográfica com a originalidade formal de Orgulho e Preconceito (2005) deve-se ao engenho do realizador demonstrado pelos trabalhos precedentes. O risco de tornar a adaptar para cinema o romance clássico escrito por Jane Austen deixou rapidamente de ser posto em causa quando demonstrou que era possível transparecer uma marca autoral em filmes de época ou em adaptações literárias, área por onde invariavelmente passou a ser reconhecido. Partindo de um trabalho de fotografia e direcção de actores admiráveis (cujo elenco conta com Keira Knightley, a “musa” do realizador), Wright destaca-se pela vontade de filmar o espaço dramático através do movimento, proporcionador de um raro realismo em filmes de época, e de enquadrar, não raras vezes, os planos como se de autênticos frescos se tratassem.
Seria, por isso, injusto, e como Expiação (2007) comprova, confinar Joe Wright às categorias opostas de cineasta classicista ou realista. Até agora tida como a sua obra-prima, Representada também por Keira Knightley e da jovem actriz Saoirse Ronan (a protagonista de Hanna), esta é mais uma adaptação literária perfeccionista (desta vez de Ian McEwan) que estuda o sentido de ilusão enganadora que move o próprio realizador. Neste melodrama nomeado para 6 Óscares da Academia, Wright exacerba o seu gosto pelo movimento, dirigindo um memorável plano-sequência e que segue a personagem de James McAvoy na praia de Dunquerque em clima de guerra. A colaboração com o compositor italiano Dario Marianelli (vencedor do seu primeiro Óscar) é tão frequente como a que tem com Keira.
O Solista (2009) demonstra a vontade do realizador em testar outros caminhos. Filme sobre um mendigo (Jamie Foxx) movido pelo desejo de tocar na Walt Disney Hall, Wright permanece com a sua marca de autor relativa aos longos e movimentados planos-sequência. Hanna, a estrear em breve, é um thriller que também em nada se parece ao género dos seus primeiros dois filmes.
Parece, apesar de tudo, que o realizador inglês está empenhado em regressar às adaptações literárias e filmes de época. Em curso está a pré-produção de um projecto megalómano: a transposição de Anna Karenina, clássico russo escrito por Leo Tolstoi, e que contará com a participação, de Jude Law e, uma vez mais… de Keira Knightley.
Por um cinema feminista
“Hanna” é a quarta longa-metragem de Joe Wright, que nos traz a história de uma adolescente (Saoirse Ronan) que foi treinada pelo pai para se tornar uma assassina profissional. Numa entrevista ao The Telegraph, o cineasta recorda a sua traumática dislexia para justificar o bullying sofrido e a necessidade de o homem se adaptar contra as adversidades da vida. Apesar de parecer outro meteorito na carreira do autor, este filme mantém a sua determinação em ser feminista, estudando fortes personagens sem o enquadramento das mulheres como objectos sexuais e inferiores típico de outros filmes do género. No entanto, e acima de tudo o resto, o realizador considera que o objectivo de “Hanna” é entreter o seu público, mostrando ser possível criar acção com consciência moral e social.
Uma breve opinião
Parece, acabada de ver a quarta longa-metragem de um autor que se empenha em mostrar ao seu público que é efectivamente capaz de percorrer os mais diversos géneros cinematográficos, que Joe Wright se perdeu nas suas intenções quando decidiu adaptar o argumento, pobre e falhado, de Sarah Lochhead e de David Farr. A história que apresenta a anti-heróína original que é Hanna, também é a mesma que impede o espectador de poder compreender os dramas interiores da protagonista e o deslumbramento provocado pela descoberta de um mundo novo, dando preferência a uma acção e um arco dramático que nada mais são senão banais e pouco credíveis. Apesar das interpretações de Ronan e Blanchett e de Wright saber filmar (exibindo o seu gosto pelos planos-sequência), ficamos com a infeliz confirmação que está longe da sensibilidade que demonstrou nos primeiros dois filmes.
Parece, acabada de ver a quarta longa-metragem de um autor que se empenha em mostrar ao seu público que é efectivamente capaz de percorrer os mais diversos géneros cinematográficos, que Joe Wright se perdeu nas suas intenções quando decidiu adaptar o argumento, pobre e falhado, de Sarah Lochhead e de David Farr. A história que apresenta a anti-heróína original que é Hanna, também é a mesma que impede o espectador de poder compreender os dramas interiores da protagonista e o deslumbramento provocado pela descoberta de um mundo novo, dando preferência a uma acção e um arco dramático que nada mais são senão banais e pouco credíveis. Apesar das interpretações de Ronan e Blanchett e de Wright saber filmar (exibindo o seu gosto pelos planos-sequência), ficamos com a infeliz confirmação que está longe da sensibilidade que demonstrou nos primeiros dois filmes.
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Flávio Gonçalves,
Joe Wright,
Notícias Sábado
sexta-feira, julho 08, 2011
Portugal terá 3 cinemas IMAX até o fim de 2012
Após ter feito sucesso como um dos maiores cinemas do mundo, o IMAX regressa a Portugal. Este texto foi publicado originalmente ontem, dia 7 de Julho de 2011, no site Dinheiro Vivo, que integra o Diário de Notícias. Pode ser lido integralmente aqui.
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Cinema,
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Flávio Gonçalves
Double Feature [4]: Biutiful e Belleville Rendez-vous
O Double Feature é um espaço de opinião regular sobre dois DVDs lançados (ou reeditados) pelas distribuidoras portuguesas. O comentário que segue foi publicado no dia 18 de Junho de 2011, na revista Notícias Sábado integrante do Diário de Notícias e do Jornal de Notícias.
Biutiful, de Alejandro González Iñárritu
Castello Lopes Multimédia
★★★
Depois de ter realizado uma trilogia escrita pelo colega Guillermo Arriaga (da qual fazem parte os filmes Amor Cão, 21 Gramas e Babel), o mexicano Alejandro González Iñárritu assina o argumento e a realização de Biutiful, um olhar sobre os problemas marginais de Barcelona, como a ilegalidade da imigração, da corrupção e da exploração do trabalho. A personagem desarmante de Javier Bardem, vencedor do prémio para melhor actor no Festival de Cannes, completa este quadro decadente e por vezes exagerado, representando um pai que luta por sobreviver com o seu débil estado de saúde, família disfuncional e sentimento de culpa, e representando a espiritualidade ausente na sociedade moderna.
Belleville Rendez-vous, de Sylvain Chomet
Atalanta Filmes
★★★★
Uma das melhores animações da última década, esta longa-metragem do francês Sylvain Chomet (criador do recente O Mágico), reeditada recentemente em DVD e nomeada para dois Óscares da Academia (melhor animação e canção original), apresenta-nos Madame Souza, emigrante portuguesa, Bruno, o seu cão obeso, e Champlion, o seu neto melancólico que é raptado pela máfia quando este decide participar na Volta de França. Dirigido a todo o tipo de público e dotado de uma singularidade que em nada se assemelha às criações da Disney, Chomet mistura na aventura o detalhe com um humor simples e improvável, acabando ainda por contar a história, mais que por diálogos, através da música e dos gestos.
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