quarta-feira, fevereiro 17, 2010

Uma brincadeira perigosa


Eis como, em jeito de reconto, Haneke debela a sua marca mais representativa (o realismo) e o formalismo da linearidade temporal naquela que é uma das cenas mais críticas, emblemáticas, provocantes e famosas da sua brilhante carreira. Múltiplas são as conclusões que podemos daqui retirar: a mais óbvia será, na minha perspectiva, a demonstração de como se intromete na sociedade contemporânea, pela via da comunicação social e do próprio cinema, um voyeurismo insaciável e uma desesperada procura pela violenta e triunfal vingança do mal sobre o pouco bem que resta no ser humano.

7 comentários:

  1. Uma sequência surpreendente que explora, como disseste e bem, o voyerismode, de forma cura e visceral. O filme é todo ele uma experiência marcante, bem ao estilo de Antichrist. É impossível não reflectir acerca do mal e do bem depois de observar uma obra destas.

    Abraço

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  2. Só vi esta cena agora, porque não resisti. Só conhecia a cena inicial. Engraçado como tantos a detestam, dizem que o filme perde o sentido.
    Eu acho das cenas que mais sentido dão à obra!

    5*

    Cumps.
    Roberto Simões
    CINEROAD - A Estrada do Cinema

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  3. Acho estranho como muitas pessoas apelidam esta cena como das piores do filme e aliás alguns até a culpam pela falta de qualidade do filme.

    Não sei como esta cena é no original mas neste "remake" é espantosa!
    Introduz uma realidade paralela! Especialmente quando estamos a pensar que o filme vai seguir assim, de repente há o sublime rewind e mostra-se outra realidade...

    É uma das cenas do filme que apresenta um terror fácil, no entanto, p Cinema de Haneke é sinónimo de realismo e, por isso, terror fácil é do que mais existe na vida humana, afinal a violência é o nosso estado mais primitivo...

    Abraço
    http://nekascw.blogspot.com/

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  4. Filipe, completamente! Inicialmente, confesso que o Brincadeira não me despertou tanto interesse mas a reflexão que posteriormente obriga faz-me reconhecer que estamos perante um grande, grande filme. Como, claro, Antichrist ;)

    Roberto, também estou de acordo contigo... Era, de certa forma, necessária. O filme perdia o encanto se não a tivesse.

    Nekas, levantas uma questão muito interessante, que por acaso foi problematizada na minha aula de Psicologia. Achas mesmo que a violência, a que assistimos diariamente na comunicação social e que parece que o ser humano procura desenfreadamente, é inata, biológica a este? Há quem defenda, como o fizeste, que sim - mas que é essencial à sobrevivência (no seu estado puro). Ou não será aprendida, através de modelos agressivos que a cultura e a sociedade em que nos inserimos transmite? É delicado mas pertinente reflectir sobre isto, também. Talvez cheguemos à causa real por que o homem ocidental e actual gosta tanto de filmes com violência gratuita.

    Abraços!

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  5. Vou responder-te, mas como estou sem tempo talvez amanhã!
    :)
    Abraço
    http://nekascw.blogspot.com/

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  6. Penso que a violência é algo que faz parte de nós, ou seja, está nos nossos genes. Claro que existe muitas variações de violência e nesse caso a tortura do próximo é algo que não se encontra em todos nós ou, pelo menos, está escondida em nós.
    Há vários exemplos de pessoas que matam ou que cometem crimes nunca antes vistos ou nunca antes presenciados por essa mesma pessoa mas algo despertou-a a fazer isso. Falando dessas pessoas que detêm sanidade mental, pois existem casos de insanidade e a esses não posso aplicar o que escrevo, mas voltando às pessoas sãs, há algo no nosso sitema cerebral que as desperta para algo, uma memória de infância, por exemplo.
    A violência encontra-se em todos nós, acordada ou adormecida, a questão é quando tempo conseguimos manter adormecido algo que muda por completo o nosso ser?

    Abraço
    http://nekascw.blogspot.com/

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