domingo, agosto 30, 2009

:Gerry


Yourcenar escreveu, num dos seus contos orientais, que aquilo de que somos falhos é de realidades e Gerry, que se afigura como a mutação máxima de todo o estilo de Gus Van Sant, quer anterior como posterior, vem a confirmar a veracidade desta afirmação. Ainda que não perfeito, o argumento, fotografia, som, música assombrosos e metafóricos, em natural e sublime uníssono, fazem com que possamos conceber, em poucas palavras, a obra como uma colossal experiência estética, metafísica, filosófica e espiritual como poucas outras conseguem sê-lo, merecedora, seguramente, de mais do que uma visualização atenta. Gerry é Gerry; uma autêntica, silenciosa e por muitos incompreendida alegoria sobre a vida, a morte e todos os mistérios que se intercalam no meio.
10/10

2 comentários:

  1. Numa palavra: sublime. No início, aparentemente ao acaso, e depois absolutamente perdidos no deserto, quiçá à procura deles próprios, acabam numa busca incessante de vida e de sentido. Gerry é uma experiência metafísica tão impressionante quanto incisiva... sobre a morte, o sofrimento e a agonia da sobrevivência numa situação-limite.

    Cumps.
    Roberto Simões
    CINEROAD – A Estrada do Cinema

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  2. Quanto a mim trata-se do melhor filme do Gus Van Sant. Obra-prima sem qualquer sombra de dúvida. E claro que isto sim é cinema de qualidade, muito mas muito superior ao producto novelístico e comercialóide do Milk. Mas percebe-se o porquê de Gerry, Elephant, Last Days e Paranoid Park serem os melhores filmes dele, afinal de contas está bem presente em todas estas obras a clara tendência em adoptar a postura contemplativa, naturalista e minimalista de Tarr e de Tarkovsky. E a mise-en-scène de Tarr está lá desde o primeiro minuto ao último. Mas Sant não deixa de ter mérito e de fazer um filme próprio, independentemente das influências (pois todos os cineastas são influenciados), ele cria uma obra-prima, um filme que me deixou completamente atónito após a primeira visualização. Brilhante.

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