sábado, setembro 11, 2010

Moonlighting

Penso que nunca esquecerei a minha estreia com Skolimowski. Nunca vi, ao contrário do Rúben, o Quatro Noites (apesar de este ser, como parece óbvio, um caso a colmatar em breve), daí que conheci uma Anna diferente – a Anna amada, fora do alcance do protagonista, a Anna fantasma, a Anna que nunca vemos, a Anna de Moonlighting. E, este, é, não há dúvidas, um grande filme, um pedido de ajuda do polaco (expatriado entretanto na Inglaterra, tal como o protagonista), um pedido de liberdade, de amor e de compressão, uma carta de amor àqueles que querem regressar às origens e que não conseguem. Ou porque não podem, ou porque não querem. E todas aquelas desventuras e diversões nos parecem simbólicas, mágicas, leves como uma pena e, ao mesmo tempo, intercalamo-nos com o olhar realista, duro e terrivelmente pessimista do cineasta da hostil Inglaterra e da longínqua e perdida Polónia, em tempos de Guerra Fria. Mas felizmente há luar. E é isso que o torna, em tão grande parte, único e completo. Provavelmente, nem sei bem, vê-lo na Cinemateca moldou aquela deliciosa projecção em algo mais, para mim. 

Não importa, realmente. Lembro-me tão bem do filme como me lembro da semana passada – dos aspirantes a estudar cinema, daquele óvni amarelo tão característico de Amadora, do Rossio a brilhar de noite e de dia, do professor de realização a perguntar o que é o cinema só para falar do transcendente salto gramatical de Coppola, das referências histéricas e incontidas de grandes Cineastas como quem os tem na palma da mão, do medo de não podermos nunca mais ver o farol que Pedro Costa tantas vezes contemplou. Lisboa foi, e vai continuar a ser, um sonho.

2 comentários:

  1. "das referências histéricas e incontidas de grandes Cineastas como quem os tem na palma da mão" ??
    Não percebi.

    Boa sorte para a tua candidatura.

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  2. Tenho esse filme aqui já ao tempo e por várias vezes que me lembrei de o ver. Mas à última da hora decido-me sempre por outro. Fiquei mais curioso ainda ;)

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