domingo, setembro 14, 2008

:Mysterious Skin (2004)


“Mysterious Skin – Pele Misteriosa” é, na falta de melhor palavra, assombroso. Estupendo a todos os níveis, devo, antes de tudo, aplaudir veementemente o magnífico desempenho de Joseph Gordon-Levitt que, devo admiti-lo, quase me deixou em lágrimas numa cena extremamente perturbadora. E com isso conseguimos um novo adjectivo para classificar a fita, pois este filme deixar-vos-á transtornados pelo penoso e por vezes sufocante ambiente que assistimos na jornada de Neil.
Gregg Araki traz-nos ao grande ecrã a história de Brady e Neil, duas crianças de oito anos e colegas de uma equipa de basebol que compartilharão uma experiência traumática durante cinco horas; cinco horas que delinearão o percurso das duas personagens indistintamente. Depois de serem os peões sexuais do respectivo treinador, Brady e Neil seguem as suas vidas de uma forma bastante particular e discrepante; Neil torna-se num adolescente homossexual com um comportamento aéreo e indisciplinado, acompanhado pelos dois melhores amigos, e num prostituto cobiçado naquela vila; Brady afigura-se como um jovem retraído e obcecado pela procura da verdade, julgando-se vítima olvidada de um rapto extraterrestre (condicionado, evidentemente, pelo trauma criado com aquele medonho evento). Aliás, é de forma incrível como podemos seguir as vidas dos dois, desde as perigosas e fatídicas aventuras que Neil tinha com Wendy (a imagem daquela criança a chorar e com os foguetes na boca deixou-me abalado) ou como Brady descrevia os seus sonhos com extraterrestres naquele livro. Ambos os actores estão absolutamente de parabéns, há imenso que não via representações tão autênticas.
É, então, nisso que o filme se centra, a pedofilia, a violação e a prostituição como temas primordiais. O argumento está, de facto, notável (adaptação de um romance homónimo de Scott Heim) e a realização, essa, está brilhante. Há planos que me ficaram na mente, desde o inicial onde é possível ver uma chuva de cereais em câmara lenta, a descer para a cabeça feliz de Neil ou o final, um plano picado dos dois adolescentes sob um cântico natalício arrepiante. Daí ganhar dois pontos merecidos e não ver razões para dar menos do que 10 em 10. Assemelha-se, em parte, a Gus Van Sant com “Elephant” e “Paranoid Park”, mas ganha na proficiência da história e da forma como as personagens foram exploradas. Um daqueles raros casos que me afectou e deixou a pensar durante horas e horas, pela profundidade de todas as cenas. É mais do que um filme independente para amantes de dramas perturbadores e violentos, dêem uma oportunidade à película e não se arrependerão. Muito recomendado!

9/10

7 comentários:

  1. eu também fui violada (pela minha professora de musica). ainda me aconselhas o filme...? ou é melhor nao ver?

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  2. o proximo que vais ver é o bonecas russas... ok? tens de ver.

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  3. credo nota maxima... esse é o teu terceiro atonement/dark knight?

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  4. OK Ruben, tens de mo emprestar.

    Sim, Sandra, é... tens de ver!

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  5. Ainda não tive oportunidade de ver este filme, mas já ouvi falar muito bem dele. Tu és mais uma prova disso.

    Abraço

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  6. Fernando, mal tiveres a oportunidade, aproveita. Abraço!

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  7. Esperava mais do filme. Ou, aliás, esperava outra coisa.

    O filme ia nos 50 mins e eu já tinha percebido tudo. Achei desnecessário mostrar tantas cenas de sexo (bastavam 2- a primeira e a última). A mensagem continuava lá - e o filme ficava mais interessante, e menos repetitivo. A meu ver, claro.
    A história do que pensava que foi raptado por aliens enrolou muito.. mas foi a que mais gostei.

    Valeu pelos actores, e pelo final. Gostei do último plano, e do primeiro, o dos cereais. Mas está muito longe do 10.

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