terça-feira, junho 23, 2009

:Estava a ver que nunca mais...




Certamente, a mediocridade das opções especiais não me impediu de comprar o DVD que tanto ansiava, mas curioso torna-se comparar preços de filmes do género ou do mesmo autor. Veja-se, por exemplo, a diferença alucinante entre os vinte euros pagos com este com os 99 cêntimos (sim, leram bem) dados com o "Last Days", há semanas atrás. Mas enfim, mesquinhices destas nem merecem mais consideração. Estive mais atento a rever esta magnífica obra-prima que já devem estar cansados de me verem a elogiar. Quem quiser espreitar a crítica, que aqui clique. Bom São João e - já agora - bom início de férias!

P.S.: Notei que o Dustin Lance Black tem um cameo no filme - quando o Harvey sabe que alguns jornais apoiam a sua candidatura para supervisor, na parte exterior da loja vem um casal interracial de homens. O Dustin está a puxar, aparentemente, o namorado e impedi-lo de felicitar o Milk :p

domingo, junho 21, 2009

terça-feira, junho 16, 2009

:"Ladrões de Bicicletas"

Considerada a obra-prima neorealista da sétima arte, "Ladri di Biciclette", de Vittorio de Sica, é um filme italiano de 1948 que me deixou completamente aturdido e deslumbrado. Sensível à Depressão da pós-guerra, a fita leva-nos às camadas mais desfavorecidas da sociedade italiana, versando-nos a história de um pobre homem que, após ver roubada a sua bicicleta essencial para o trabalho que acabara de ganhar, a tenta procurar ao lado do filho. Parece não haver palavras suficientemente fortes e justas que descrevam a minha admiração por esta obra-prima... simplesmente vejam-na, que é dos melhores filmes que alguma vez verão. Aqui fica o trailer americano, que também recomendo a visualização.


sexta-feira, junho 12, 2009

:Notorious post

Este post, escrito um pouco à pressa e que resume como têm andado estes dias de inactividade virtual, é dedicado às ilustres presenças que não têm visto, ultimamente, os meus comentários nos seus blogs. Peço, antes de mais, desculpa ;)
  1. Se não foram, não vão. “Mocho Sentado” - Matosinhos - deve ser, muito provavelmente, dos restaurantes mais campónios e labregas de que há memória no nosso país. Oh, well, pelo menos dá para nos divertirmos a estudar a gente cujo bom senso certamente não existirá na sua consciência quando as músicas brasileiras dão início.  Fui lá festejar, com os amigos, o meu aniversário e posso dizer que, melhor de tudo, só a comida :P
  2. Bonita representação democrática nas Europeias, sim senhor. Mais uma vez, a absolutíssima maioria é detida pela abstenção! Lembra-vos o romance ensaístico escrito por Saramago, este cenário? Pois bem, em vez de “Ensaio sobre a Lucidez” seria mais, talvez, “sobre a preguiça de se levantar do sofá num domingo e ir votar”.
  3. Vou voltar às leituras neste Verão. Lolita, Ana Karenina, Elizabeth Bennet, Raskólnikov e outros que me esperem.
  4. Por favor, vejam “As Canções de Amor”, título traduzido do francês “Les Chansons D’Amour”. É, provavelmente, o melhor musical que até agora tive o prazer de ver (certo é, também, que vi poucos, e a maioria eram de fraca qualidade). Nada de canções beras. Da simplicidade da história emerge uma narrativa cativante, fresca e, sem ser kitsch ou se perder nos habituais clichés, muito romântica.
  5. Ou a fiabilidade do top dos duzentos e cinquenta melhores filmes de sempre do IMDB foi já directo para o esgoto, ou os filmes da Pixar são tão bons que, impressionantemente, têm já lugar garantido na lista mesmo antes de serem exibidos ao grande público. Vamos ver se “Up” é assim tão “altamente!”
  6. Estou em crer que o meu mais-do-que-elogiado Hitchcock não sabe muito bem acabar a grande maioria dos filmes que faz. Não quero ser rígido, mas encontro-os um pouco apressados e abruptos como se a intenção fosse mesmo criar um final tão fechado quanto truncado (e com isto recordo-me dos momentos finais do estupendo “Notorious” ou de “North by Northwest”, por exemplo). Mas, enfim, delicio-me sempre com uma obra deste grande mestre - e a última que vi, “Dial M for Murder”, veio a confirmar a sua proficiência.
  7. Ando a (re)descobrir, nestes últimos meses, o cinema europeu, tão apartado do enxovalhado / amado americano, e pergunto-vos: acham a separação legítima? Se sim, que principais diferenças existem entre os dois tipos? Fica a questão.
  8. A ficha biográfica da ESTC, dei há pouco uma espreitadela, é assustadora. Provavelmente preenchê-la-ei para o ano e, até lá, aproveito para me cultivar e informar-me sobre outros locais onde estudar cinema.
  9. Odeio os exames nacionais. Ou pelo menos o de Geografia. Quem fizer o favor de estudar, por mim, os anticiclones e as depressões - já que, de caminho, quem aqui deprime sou eu -, as disponibilidades hídricas, os recursos marítimos, e um largo etc., agradeceria bastante.
Até o fim dos exames!

domingo, maio 24, 2009

:Cannes '09 - As Premiações

É certamente um grande dia para os portugueses e a sétima arte. João Salaviza, estudante de cinema de 25 anos, conseguiu, com "Arena", levar a Palma de Ouro na categoria das curtas-metragens. Já Michael Haneke, por "Das weiße Band" (filme que fiz referência na publicação anterior), venceu o mais cobiçado prémio. Para ver a lista de todos os premiados, cliquem aqui.

:Caché - Nada a Esconder




Caché ou, como o título que lançaram para Portugal, Nada a Esconder, é um filme de Michael Haneke que venceu, em 2005, no festival de Cannes, o prémio da crítica  internacional e  júri ecuménico, assim como o de melhor realizador, e levou, de igual forma, 5 prémios do Cinema Europeu: melhor filme, realizador, actor, montagem e crítica internacional. Ora, devo confessar, antes de mais, a minha total ignorância em relação à filmografia deste realizador, que ganhou visibilidade com o chocante "Funny Games" (que, ele mesmo, fez um remake dez anos depois, com este filme) ou "A Pianista" e conseguiu conquistar metade do favoritivismo para a Palma de Ouro de Cannes deste ano, com o seu novo e aclamado filme, "Das weiße Band". No entanto, bastou a colecção que ando a fazer com a série Ípsilon, do jornal Público, que, todos os sábados, lança um DVD da Atalanta Filmes, para conhecer, ontem, esta autêntica obra de arte. A fita começa de forma curiosa e um tanto irónica, com um take longuíssimo e parado de uma rua como qualquer outra que nos faz questionar o propósito daquela filmagem. Momentos depois, e em voz off, ouvem-se os dois protagonista a questionarem-se do mesmo. Haneke inicia, dessa forma, um thriller dramático bastante íntimo e perturbador, bem ao estilo de Hitchcock, convidando o espectador a espiar o terror sentido por uma família que se sente vigiada sem porquê saber. Com argumento coeso, realista, e extremamente envolvente, a simplicidade toma conta dos nossos nervos e atenção, trazendo-nos um filme francês inesquecível, quer pelas maravilhosas interpretações de Daniel Auteuil, Juliette Binoche e Lester Makedonsky, quer por um final merecedor de discussão e diversas interpretações (parafraseando o realizador, é melhor interpretar um filme de Haneke do que ver um filme de Haneke). Em relação à realização, posso dizer-vos que me lembrou um pouco Gregg Araki, pelo uso frequente de planos parados centrados nas personagens, mas, ainda assim, consegue ter uma forte marca pessoal que me agradou imenso.  Escusado será dizer que estou desejoso de ver mais filmes deste grande criador.  Só para finalizar, acho que é igualmente interessante uma comparação entre esta obra e "Gone Baby Gone", de Ben Affleck. Vi-os ambos ontem, e consegui estabelecer, muito facilmente, um paralelismo entre dois - e, se viram, saberão porquê. De qualquer das formas, "Caché" é um filme que dificilmente desgostarão,  pela sua genialidade e porque, citando Peter Travers, serão incapazes "de tirar os olhos do ecrã".
9/10