Fenómeno estranho, este, o bullying. Tal como tudo na aldeola minúscula e passiva que Portugal cada vez mais é por venerar o seu deus recém-adquirido e importado do estrangeiro (a comunicação social sensacionalista), bastou um rapaz atirar-se ao rio para que a violência física e psicológica entre a camada adolescente, chamada de um neologismo que pegou moda, passasse a ser o tema em voga das revistas-cor-de-rosa, dos jornais cor-de-rosas disfarçados de azul, das televisões cor-de-rosa, das estações de rádio cor-de-rosa, das conversas de autocarro, das palestras escolares e, como se tudo não bastasse, do governo, pressionado, que se aprontou a demonstrar medidas que reduzissem a situação. Não, esta publicação não vai servir para esclarecer que esta existe há séculos ou que é mais englobante que o escolar, nem servirá para enegrecer (ou dignificar) os adolescentes, cuja voz, por vontade da apática maioria, cada vez menos se ouve, nem cuidará do papel cada vez mais preponderante (diremos tirano) dos mass media que, a título de curiosidade, justificando a isto e àquilo os casos de violência nas escolas que denunciam, estão implícita e intrinsecamente relacionados com origem do actual bullying, manifestado sob as mais diversas formas, como já pude aqui explicar. Mas, enfim, este post pretende sugerir ao leitor mais curioso, ou às escolas menos iluminadas, uma série de cinco películas que merecem, hoje mais que nunca, serem visualizadas e, sobretudo, reflectidas. Elephant, de Gus Van Sant, é, claro, uma referência absoluta. Ainda que possam não tratar directamente o tema, demonstram-nos também a poderosa manipulação da comunicação social, a origem da violência ou a necessidade de o homem ser compreendido nos dias que correm. Ah, e espero que isto ainda atraia humanos, já que num dia se movem contra os alunos, estupidificando-os, e, noutro, se solidarizam por eles (ou se interessam por outros fait divers).
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sábado, março 27, 2010
quarta-feira, outubro 07, 2009
:Compreendendo os adolescentes
Muitas são as películas que se destinam ao público adolescente - afinal, que público, na sua grande maioria, é mais consumidor e ingénuo relativamente às imagens que se lhe são exibidas? Poucas são, contudo, aquelas que tentam, de uma forma mais ou menos directa, entrar na profundidade da sua mente, criticando o seu comportamento e a busca da identidade na violência, na sexualidade ou, simplesmente, no conformismo. Tarefa difícil mas certamente não irrealizável. Dessa forma, deixo-vos hoje com uma série de cinco inspiradoras películas que valem a pena ser visionadas pelo menos uma vez na vida, dada a sua qualidade artística ou a forma como marcaram a sociedade e o mundo da sétima arte pela temática (ou a forma como esta é abordada). Mysterious Skin (2007), Paranoid Park (2007), Ken Park (2002), The Dreamers (2003) e A Clockwork Orange (1971) são, para além dos que em baixo enuncio, filmes muito recomendáveis.
Sementes de Violência (1955)
Fúria de Viver (1955)
Kids - Miúdos (1995)
Elephant (2003)
Entre les Murs (2008)
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