quarta-feira, junho 27, 2012

Lana Del Rey entre o amor e o mito americano

Eis um grande candidato a teledisco do ano: acaba de ser lançado o mais recente da história videográfica da cantora pop norte-americana Lana Del Rey, correspondente ao quarto single (National Anthem) do seu primeiro álbum (Born to Die). E não nos deixemos cair pelo preconceito sobre o formato: este é, afinal, um dos mais belos pedaços de cinema que pudemos ver em 2012. 

É verdade que a revisita não é aspeto que nos surpreenda em Lana Del Rey (vide as qualidades da imagem deste National Anthem a piscar o olho não apenas ao Super 8 como também à montagem que ela mesma assinou em Video Games). Mas certo é também que não estamos perante uma construção vulgar, mais ou menos sofisticada, que nos força um retorno pueril para àquilo que hoje consideramos vintage ou, muito simplesmente, antigo (alguém sussurrou… O Artista?). Isto porque o vídeo realizado por Anthony Mandler reencena a vida de Jacqueline Kennedy (Lana Del Rey) filmando-a sob a sombra do assassinato de John F. Kennedy (no teledisco a figura masculina central é o rapper ASAP Rocky). 

Essa vida é, tal como nos demonstra o teledisco, envolta por mitos (Lana Del Rey, aliás, que interpreta também Marilyn Monroe, põe na sua figura a evidência de uma construção: tudo nela está between real and the fake). Entre esses mitos mora o do patriotismo e da felicidade americana (vide a insistência nos planos da bandeira dos EUA ou o travelling de afastamento, poderosíssimo, no minuto 1:44), destruída pela ganância (Money is the anthem… of success) e pela violência trágica… do amor. Eis encontrado o ponto sobre o qual National Anthem gravita: sem o amor, tudo é, como nos demonstra o minuto 4:11, Dark and lonely / I need somebody to hold me.

1 comentário:

  1. "National Anthem" surge ampliada num video bastante elaborado, que revive memórias americanas marcantes e que se sabem culminar trágicamente.
    A evocação provocadora de Marilyn Monroe no inicio não é nada inocente... pois ela bem que poderia ter sido uma Jacqueline Kennedy. É aqui neste detalhe inicial que verifico mais que uma construção normal em forma de videoclip. A ideia do video parece-me encenar uma realidade paralela, que une o badalado amor de Marilyn Monroe com o presidente Kennedy. O inicio ergue essa ideia. A Monroe de Lana não surge loira ou diferente mas sim a mesma Lana "Jacqueline", o que me faz interpretar como um suposto "what if" se Monroe tivesse mesmo sido a mulher de kennedy. Um Kenedy "obamizado". Um amor que mesmo assim se conduziria trágico uma vez que o desfecho da vida do presidente se tornaria a mesma.
    É esta segunda leitura que engrandece ainda mais tudo o que decorre no video... e é magnifico mesmo!

    belo post, Flávio!

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