quinta-feira, abril 26, 2012

IndieLisboa 2012 – Chegou o tornado no “ano de todos os perigos”

Take Shelter, de Jeff Nichols, é exibido a 6 de maio, às 21:30, no Grande Auditório da Culturgest.


Começa hoje a 9.ª edição do Festival Internacional de Cinema Independente IndieLisboa, a decorrer até o dia 6 de maio na Culturgest, Cinema São Jorge e Cinema Londres (em Lisboa). São os próprios diretores e programadores (Miguel Valverde, Nuno Sena e Rui Pereira) que o consideram (na apresentação da edição): 2012 é “o ano de todos os perigos”. A referência catastrófica remete-nos, naturalmente, ao panorama atual do cinema português, “memorável” no sentido em que “a exposição pública e os prémios arrecadados no último Festival de Berlim, a que se deve juntar os ventos promissores de 2011 que trouxeram prémios de Locarno e San Sebastian (…) demonstram a vitalidade do Cinema Português” (assim, com maiúsculas) “e a visibilidade que está a obter internacionalmente.” E os perigos, a que se referem? Às “mudanças de políticas e de indecisões” (alguém falou em… concursos do ICA?), que ameaçam a “paralisação de todo o sector”.

Discurso marcado por uma consciência aguda política que é poderosa e desafiadora (segundo os dados de 2011, o IndieLisboa é o terceiro festival com mais espectadores, atrás do Fantasporto e do Estoril Film Festival) e que é acompanhada pela concentração de esforços na exibição e promoção do cinema português. E quem diz valorização diz também discussão — este ano, as Lisbon Talks vão ter especialmente incidência na cinematografia nacional: no dia 29 de abril, das 9:30 às 17 horas, Paulo Viveiros orientará no Hotel Florida o seminário “O Estado do Cinema Português: Criatividade vs Economia”, e no dia 2 de maio a sala 2 do Cinema São Jorge servirá de palco para o debate “O Cinema Português Visto Pelos Mais Novos – Reflexão sobre o Actual Estado do Cinema Português”.

Wuthering Heights, de Andrea Arnold, é exibido no dia 5 de maio, às 15:00, no Grande Auditório da Culturgest.
Entre o júri oficial da competição internacional de longas-metragens encontramos nomes que estão a merecer destaque no IndieLisboa: João Canijo (que, depois de Sangue do meu Sangue o ter reposicionado nos nomes a seguir com maior atenção no cinema português, vai ter o seu recente documentário Raúl Brandão era um grande escritor... numa sessão especial, a decorrer no dia 1 de maio pelas 18:00 no Grande Auditório da Culturgest), Lionel Baier (cineasta suíço que vai merecer uma retrospetiva integrada no foco do cinema emergente “Cinema Suíço – Um Bando à Parte”) e Agnès Wildenstein (que trabalha na Suíça no festival internacional de cinema de Locarno desde 2000).

O restante júri é composto pela programadora da Cinemateca Portuguesa Maria João Madeira, Paolo Moretti e pelo ator Gabriel Spahiu (na competição internacional de curtas-metragens), pelo programador e crítico João Garção Borges, Ailton Franco Jr. e pelo diretor do Festival Internacional de Curtas-Metragens de Uppsala Niclas Gillberg (na competição Onda Curta), pela realizadora Diana Andringa, Jaime Pena e pela jornalista Helena Torres (na competição Pulsar do Mundo).

Na competição nacional encontram-se cinco longas-metragens e 19 curtas-metragens, algumas delas marcando também presença na competição internacional de curtas (são seis: Cama de Gato, de Filipa Reis e João Miller Guerra, O Que Arde Cura, de João Rui Guerra da Mata, Mupepy Munatim, de Pedro Peralta, Cerro Negro, de João Salaviza, Fado do Homem Crescido, de Pedro Brito, e Julian, de António da Silva).

Salaviza, galardoado com a Palma de Ouro com Arena, terá ainda direito a uma sessão especial: Rafa, que recentemente venceu o Urso de Ouro em Berlim, será amanhã exibido acompanhado pela longa-metragem francesa Nana, de Valérie Massadian. Por sua vez, João Mário Grilo estreará o documentário A Vossa Casa (no dia 6 de maio, na sala 1 do Cinema Londres, às 16:45).

Cerro Negro, de João Salaviza, é exibido no dia 28 de maio, às 18:15, no Grande Auditório da Culturgest.
Repete dia 30, às 16:45, e dia 3 de maio, às 21:45, no Pequeno Auditório. 
Portugal vai estar ainda representado num conjunto, “Novíssimos”, constituído por primeiras obras e filmes de escola: Alquimia, de Diogo Sequeira, Assembly Line, de Tiago Ferreira, Atracados, de Filipe Afonso, Leite, de Gonçalo Robalo, Mulher.Mar, de Filipe Pinto e Pedro Pinto, A Rapariga de Cabelo Vermelho, de Catherine Boutaud, e You Are the Blood, de Rafael Morais.

Nas secções Observatório e Cinema Emergente o IndieLisboa exibirá alguns dos títulos mais promissores para o presente ano cinematográfico: 4:44 Last Day on Earth, de Abel Ferrara (a ser exibido no sábado, 28 de abril, no Grande Auditório da Culturgest pelas 21:30), Into the Abyss, de Werner Herzog (hoje às 21:30, na mesma sala, com repetição no dia 4 de maio às 19:00), Wuthering Heights, de Andrea Arnold (no dia 5 de maio às 15:00 na mesma sala), Alpis, de Yorgos Lonthimos (dia 3 de maio no Grande Auditório da Culturgest às 19:00 com repetição no dia 5, às 21:45, no Pequeno Auditório), Bonsái, de Cristián Jiménez (dia 2 de maio às 21:30 no Grande Auditório), Michael, de Markus Schleinzer (dia 1 de maio, às 21:30, na mesma sala) e Take Shelter, de Jeff Nichols (6 de maio às 21:30 na mesma sala).

O IndieLisboa terá a sua sessão de abertura na sala Manoel de Oliveira do Cinema São Jorge, exibindo Dark Horse, de Todd Solondz. O calendário completo das sessões pode ser consultado aqui.

Acompanharei o festival no Diário de Notícias, através da edição impressa e no blogue do jornal Sessões Contínuas, especialmente dedicada à cobertura de festivais de cinema, onde escreverei antecipações e críticas aos filmes visionados e sobre os quais farei n’O Sétimo Continente ligações diretas.
Michael, de Markus Schleinzer, é exibido no dia 1 de maio, às 21:30, no Grande Auditório da Culturgest.

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