quinta-feira, fevereiro 23, 2012

Espelho do nosso medo


A caminhar para a estreia de mais um filme da principal corrida dos Óscares (que tudo tem menos de tranquila), convém relembrar o cartaz (em cima) de Extremamente Alto, Incrivelmente Perto, o último nomeado para o Óscar de melhor filme a ter estreia em Portugal e também o primeiro a ser lançado depois da cerimónia de entrega dos prémios (a decorrer já este domingo). Consideradas as primeiras impressões (que são positivas), olhar para este magnífico cartaz (um grande plano do ator protagonista, o excecional Thomas Horn) é olhar, também e talvez sobretudo, para um perturbante retrato da angústia vivida após o 11 de Setembro. Notemos, 1), como a frontalidade e proximidade sugerem a ideia de espelho; notemos, 2), como a boca está tapada pelas pequenas mãos do rapaz; notemos, 3), como o destaque está (con)centrado, única e muito simplesmente, nos seus olhos abertos. A expressividade do olhar tem tanto de sugestivo como de ambíguo – e, no entanto, não se despega das memórias da tragédia vivida há mais de 10 anos atrás. O 11 de Setembro foi, em primeira instância, visto (no local ou em imagens de televisão) em indizível incredulidade. E é deste paradoxo que parece viver e remeter o cartaz, tal como o próprio filme assinado por Stephen Daldry, que recorda este enigmático poder do cinema de nos obrigar a voltar a olhar.

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