quarta-feira, janeiro 11, 2012

Voltar ao Fantasporto 2012 — sem vergonhas

Muito embora a actual conjuntura económico-financeira nos obrigue a temer um cenário de desaparecimento de festivais de cinema (dada a falta de financiamento público e privado) há já alguns, como o Fantasporto, que garantem uma nova edição para 2012, após este ter sido o festival que reuniu o maior número de espectadores no ano passado (47 mil e 395, para ser exacto). 

As razões para voLtar ao festival são muitas. A começar, por exemplo, pela secção competitiva, há pouco anunciada, e que conta com filmes como Key hole, do visionário Guy Maddin (que assinou a extraordinária curta-metragem The heart of the world, entre outros títulos) e com as interpretações de Jason Patric, Isabella Rossellini e Udo Kier; ou Eva, produção recentemente nomeada para 12 prémios Goya, realizado por Kike Maíllo

Outra razão: os filmes de abertura e encerramento, respectivamente Shame e This must be the place, realizado por Paolo Sorrentino e com Sean Penn no papel principal. 

O primeiro, que marca o início do festival (no dia 24 de fevereiro) há já muito aguardado por aqui, é a segunda longa-metragem (depois de Fome, vencedor da Câmara de Ouro em 2008) de Steve McQueen. Depois de uma longa espera também já sabemos o dia de estreia nas salas de cinema portuguesas: 1 de março. 

Esteve presente na 67.ª edição do Festival de Veneza (onde recolheu críticas geralmente positivas) e conta com Michael Fassbender como protagonista de uma odisseia marcada por obsessões sexuais e um sentimento que trespassa ao longo do filme – precisamente o da vergonha

Foi, curiosamente e de acordo com o próprio cineasta, a palavra mais frequentemente utilizada nas entrevistas a ninfomaníacos aquando do processo de construção da personagem encarnada por Fassbender em Shame. Numa recolha de testemunhos realizada pelo diário The Guardian, publicada ontem no portal online, verificamos, através do olhar de cinco pessoas que viram Shame e que recorreram à ajuda da SAA (Sex Addicts Anonymous), que o interesse do filme passa, também, pelo seu realismo. Aconselha-se vivamente a leitura do artigo, que está disponível aqui.

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