quinta-feira, novembro 03, 2011

Dois cartazes sem vergonha



Ainda não foi lançado nem tem data de estreia prevista em Portugal mas já é um dos filmes mais aguardados do ano e que acabou de ganhar mais um cartaz (o da esquerda, poster francês divulgado recentemente). Ambos exprimem, com delicada e sóbria simplicidade, a ideia de corpo, de intimidade e de pudor – noções que, bem vistas as coisas, acabam por participar numa contradição fascinante e, sobretudo, humana. Parece que é isto que a segunda longa-metragem de Steve McQueen quer explorar: a solidão anónima dos corpos (neste caso da metrópole esmagadora que é Nova Iorque).

Shame (que conta com o protagonismo de Michael Fassbender) é, muito à semelhança do que o autor fez com o anterior Fome, a palavra-chave que serve de ponto de partida para a narrativa (ou de chegada, como reflectiu Kieron Corless num artigo da edição do presente mês da revista Sight & Sound sobre o Festival de Veneza e no qual expõe as impressões agridoces sobre o tom aparentemente demasiado moralista e decalcado desta longa-metragem). No entanto, McQueen tem uma resposta pronta para esse tipo de leituras. Tal como foi registado em Veneza: “Toda a gente me dizia que eu não devia fazer um filme como Shame. Por causa do tema. Hoje, ao ver as reacções das pessoas, só posso confirmar que há um público à espera de filmes como este. Como é que podemos competir com a TV e com os jogos de vídeo? Só fazendo filmes que levem as pessoas a colocar questões. Dizem-me que sou moralista. Mas não somos todos? Sou. No sentido em que quero reflectir sobre o que se passa. Mas não sou um santo. É isso que o cinema deve ser. Tem que ser essencial. Tem de ser uma necessidade. É o que eu quero fazer.” 

Com um trailer (em baixo) já à vista, podemos, para além disso, espreitar para dois pequenos clipes do filme, aqui e aqui.

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