quinta-feira, novembro 03, 2011

Box office: Um sucesso chamado Tintin

Estreou há sete dias e foi o filme mais visto da semana em Portugal, divulgou o Instituto do Cinema e Audiovisual. Os números do extraordinário As Aventuras de Tintin: O Segredo do Licorne, realizado por Steven Spielberg e produzido por Peter Jackson, são claros: lançado em 134 ecrãs, acumulou uma receita bruta de 931.857,21 euros e levou às salas nada menos que 156.205 espectadores. Previsível? Certamente que sim e não nos admirará se a posição na lista do box office nacional voltar a ser a mesma na próxima semana. 

Será, apesar de tudo, interessante (e pertinente) confrontar os 70.282,32 euros que fazem de Sangue do meu Sangue o filme português mais visto do ano (encontrando-se, por sua vez, na 31º posição dos portugueses mais vistos desde 2004, prestes a ultrapassar Odete, de João Pedro Rodrigues) com os do Tintin. Se, por um lado, temos um número que é fruto de uma acumulação de 29 dias em sala (como é o caso da obra de João Canijo), por outro deparamo-nos com uma diferença brutal na ordem dos 861.574,89 euros, somados por um filme que esteve, “apenas”, 7 dias em exibição. Ambos são verdadeiros acontecimentos multi-versões à escolha do espectador: Tintin tem cinco versões – original em inglês e legendada em português (2D e 3D), dobrada em português (2D e 3D) e dobrada em francês e legendada em português (2D) – e Sangue do meu Sangue duas (brevemente mais uma, em televisão) – uma de 140 minutos, outra de 190. Mas, questionamo-nos, será o número de escolhas a justificação para a diferença, praticamente violenta, dos números? Não nos permitamos a ser ingénuos – face ao 3D, a duração não tem o mesmo efeito sedutor para o grande público. Contudo, outra diferença: Tintin foi lançado em 134 salas de cinema (em contraponto com o português, que estreou em… 14). Um é norte-americano, outro é português; um é realizado por Steven Spielberg, outro é realizado por João Canijo… Mas o que quer isto dizer? Para efeitos práticos, não muito que não saibamos ou que não esperássemos, tanto que tudo isto nos passa com grave despreocupação. 

A maior diferença, muito provavelmente, reside no facto de nos ligarmos mais rapidamente à receita bruta modesta de 70 mil euros de Sangue do meu Sangue e de olharmos com a maior das indiferenças ao quase milhão de euros de Tintin.

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