sexta-feira, setembro 16, 2011

Queer Lisboa comemora 15 anos celebrando a transgressão

Começa hoje no Cinema São Jorge a 15.º edição do Festival Gay e Lésbico de Lisboa, o Queer Lisboa, sob o signo da transgressão. A confirmá-lo estão os filmes de abertura e de encerramento (“Taxi zum Klo”, filme alemão de 1980 de Frank Ripploh e que, segundo o comunicado de imprensa, “transgride, não apenas os cânones estéticos e narrativos cinematográficos, como transgride as normas vigentes de sexo, de sexualidade e de género”). 

A abrir o festival está a longa-metragem está “Uivo”, de Rob Epstein e Jeffrey Friedman e com James Franco a encarnar o poeta norte-americano da geração beat Allen Ginsberg. Poderemos vê-la em antestreia hoje às 21 horas na Sala Manoel de Oliveira. Esta ficção estreia no dia 22 de Setembro deste ano nos cinemas UCI. 

Esta edição do festival mais antigo da capital conta com 84 filmes, a maioria dos quais (20) sendo norte-americanos. Este ano poderemos encontrar, para além das sessões especiais (3 longas-metragens), do Panorama (4 filmes), do Queer Art (15), do Assume Nothing: Intersexualidade e Representação Visual (7) e Noites Hard (11), três secções competitivas. 

Como júri da secção para a melhor longa-metragem (10 filmes em competição) encontram-se a actriz Beatriz Batarda (podemos descobri-la, actualmente em exibição nas salas de cinema portuguesas, a protagonizar “Cisne”, de Teresa Villaverde), o actor Albano Jerónimo e o editor da revista de cinema queer Little Joe, Sam Ashby

Por sua vez, na secção para o melhor documentário (10 filmes em competição), o júri é composto pelo realizador de “José e PilarMiguel Gonçalves Mendes, pela co-programadora do Milano MIX Festival, Claudia Mauti, e pelo jornalista e responsável pela criação e organização da Queer Palm no Festival de Cannes, Franck Finance-Madureira

Já o prémio para melhor curta-metragem (22 filmes em competição) será seleccionado pelo público. 

Da responsabilidade de Nuno Galopim poderemos ver uma secção Queer Pop que exibirá três programas de telediscos – retrospectivas de Kylie Minogue e David Bowie e um panorama 2010 / 2011.

Organizado pela Associação Cultural Janela Indiscreta, o Queer Lisboa é dirigido por João Ferreira, Ana David e Cláudia Craveiro. A programação esteve nas mãos do director artístico João Ferreira, Nuno Galopim e Ricke Merighi

Segundo o Queer Lisboa, “o Festival conta a RTP2 como Televisão Oficial, sendo o Prémio da Competição para o Melhor Documentário, no valor 3 mil euros, atribuído por este canal, pela compra dos direitos de exibição do filme vencedor”. Já “o Prémio da Competição para a Melhor Longa-Metragem, no valor de mil euros, é patrocinado pela Absolut Vodka”. A Jameson patrocina, também com mil euros, “o Prémio da Competição para a Melhor Curta-Metragem”. Foi anunciado, da mesma forma, que “o Queer Lisboa 15 tem um custo global estimado em 179 mil euros, sendo que 89 mil e 500 são cobertos por apoios financeiros directos, e o restante valor, por apoios indirectos e logísticos”. 

Uma novidade interessante é que, neste ano, o Queer Lisboa associou-se à MUBI, portal online de vídeo-on-demand de filmes clássicos e independentes e rede social cinéfila, para exibir, gratuitamente e no dia seguinte ao da projecção no festival, uma selecção de filmes (maioritariamente curtas-metragens) do festival. 

Na edição número 15 do Queer Lisboa poderemos visitar a instalação “Mansfield 1962”, de William E. Jones, que poderá ser vista… no WC masculino do rés-do-chão do Cinema São Jorge. 

Silenciados”, “espectáculo de teatro físico que conta a história de cinco pessoas assassinadas por discriminação em relação à sua orientação sexual”, mostra o Queer Lisboa para além do cinema exibido. A peça espanhola poderá ser vista este fim-de-semana às 21 horas, na sala 2. 

Durante os próximos dias, farei cobertura dos filmes exibidos pelo festival, apresentando-os com um lado expressamente opinativo. O crítico de cinema e co-autor do blogue Sound + Vision, João Lopes, colaborará com O Sétimo Continente publicando, durante a semana de vida do festival, "7 memórias queer".

Poderão consultar nesta publicação o programa completo do festival.

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