quarta-feira, agosto 31, 2011

Double Feature [5]: Hereafter e A Cidade Branca

O Double Feature é um espaço de opinião regular sobre dois DVDs lançados (ou reeditados) pelas distribuidoras portuguesas. O comentário que segue foi publicado no dia 23 de Julho de 2011, na revista Notícias Sábado que integra o Diário de Notícias e o Jornal de Notícias.



Hereafter – Outra Vida, de Clint Eastwood
Lusomundo / Warner
★★★★

Melodrama fantasioso assinado pelo realizador lendário Clint Eastwood, “Hereafter – Outra Vida” é uma lição de como o cinema ainda pode escapar às fórmulas banais produzidas por certos filmes e programas de televisão no que diz respeito ao fim da vida. A história segue por isso três protagonistas assombrados pelas suas experiências de morte (entre eles Matt Damon e Cécile de France), instalados em espaços distintos, e cujo destino parece invariavelmente passar pelo seu encontro. Tocante e “humanizante”, Eastwood aborda a mortalidade sem pudor, mas com um comedimento que não é usual no panorama cinematográfico norte-americano, sobretudo o que expõe, de forma gratuita, os seus efeitos especiais. Muito falado pela cena de maremoto inicial, “Hereafter” é, muito antes que um “filme-desastre”, um “filme-sagrado”.


A Cidade Branca, de Alain Tanner
Clap Filmes
★★★★

Lisboa torna-se sinónimo de solidão neste registo realizado por Alain Tanner e produzido por Paulo Branco. Este é um drama tranquilo que se inicia com um marinheiro suíço que desembarca em Portugal e que o segue na sua errância pelas ruas decrépitas e brancas da capital, enquanto envia para a namorada que vive na Suíça pedaços de filme filmados numa pequena câmara Super 8. É a partir do momento em que vemos este registo que o olhar de Tanner se funde com o do protagonista (Bruno Ganz, conhecido recentemente por interpretar o papel de Hitler em A Queda), levando o espectador a visitar uma cidade que parece estrangeira. O amor que o marinheiro passa a ter por uma empregada de hotel (Teresa Madruga) exalta a melancolia e o grave sentimento de exílio do próprio filme.

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