quarta-feira, julho 20, 2011

Gianni e a solidão


A segunda longa-metragem que Gianni Di Gregorio escreveu, realizou e protagonizou não é mais que um sucedimento redundante dos falhanços que a sua personagem tem com as mulheres que o rodeiam. Este artigo foi publicado originalmente no dia 16 de Julho de 2011 na revista Notícias Sábado, que integra o Diário de Notícias e o Jornal de Notícias (com o título Mais do mesmo). 
Apesar de se anunciar como uma comédia quando apresentado este ano no Festival de Berlim, parece impossível soltar mais do que uma gargalhada na segunda longa-metragem do italiano Gianni Di Gregorio, que assina novamente o papel de realizador, argumentista e protagonista depois da sua estreia no cinema com “Almoço de 15 de Agosto” (2008). Nascido em 1949, começou a trabalhar primeiro no teatro como actor e encenador e só depois se voltou para o cinema como assistente de realização (em três filmes de Matteo Garrone) e argumentista (noutros três de Marco Colli, colaborando na escrita do guião do multi-premiado “Gomorra”, em 2008). Só nesse ano decide atirar-se a um projecto como autor (lançando-se a um argumentista que escrevera em 2000) e foi tão bem sucedido que foi galardoado com o prémio de melhor filme debutante no Festival de Cinema de Londres.

Neste segundo filme, Gianni volta a representar um protagonista homónimo e que deve ser encarado pelo seu público como a mais trágica figura de todo o elenco burlesco do filme. É por isso apresentado como um homem de meia-idade que vive o peso do que é estar reformado aos sessenta anos. Casado com uma mulher (Elisabetta Piccolomini) que não ama, pai de uma filha (Teresa Di Gregorio) e com problemas de alcoolismo, Gianni ocupa o seu tempo fazendo favores às mulheres que o rodeiam, como a mãe (Valeria De Franciscis, que faz o mesmo papel que interpretou no primeiro filme do realizador) que constantemente o importuna ou a vizinha que precisa de passear o cão. Acompanhado pela amizade do namorado da filha e motivado pelo amigo e advogado Alfonso (Alfonso Santagata) em procurar um novo amor na sua vida, Gianni passa por constantes aventuras falhadas de sedução. E é precisamente aqui que reside a maior falha nesta autêntica tragédia “Gianni e as Mulheres”: a persistência dos episódios de fracasso e desilusão até o fim não faz mais que repetir o cenário com que o filme se inicia, tornando todo o conteúdo dramático redundante e inconsequente.

Embora seja simples, bem filmado e contenha um grau notável de honestidade e humildade, “Gianni e as Mulheres” não consegue ser mais que um filme pleonástico e insosso que com rapidez cai no esquecimento do seu público.

2 comentários:

  1. Insosso? Epá não achei nada. Que possa cair no esquecimento, percebo. Abraço.

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  2. Eu sim, Carlos. De facto, a tentativa de revitalizar a "velha comédia italiana" podia seguir um caminho menos repetitivo e cansativo. A mim não me convenceu.

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