quinta-feira, julho 28, 2011

Francis Ford Coppola e o futuro do cinema


Francis Ford Coppola, cineasta reconhecido por ter criado uma das mais famosas trilogias da história (“O Padrinho”), lançará em Setembro deste ano o seu novo filme de terror, chamado “Twixt”. O conceito inovador da distribuição do filme parte, segundo o que o realizador declarou no Comic-Con (em São Diego, na Califórnia), em ver o filme “igual a uma ópera”. Por outras palavras, Coppola quer superar a actual forma de ver cinema, pensando “em fazer uma digressão de um mês por algumas cidades dos Estados Unidos," na qual estaria com a sua equipa, "com música em directo e a fazer uma versão do filme diferente para cada plateia”.

O projecto inovador e ambicioso, que conta com um orçamento estimado em quase 5 milhões de euros, redefine, de igual maneira, a utilização do 3D. Utilizando “Avatar”, de James Cameron, como exemplo, Francis Ford Coppola explicou que apenas utilizou os óculos adequados à tecnologia quando se apercebeu da potencialidade da utilização da mesma. Assim sendo, “Twixt” misturará cenas 2D e 3D. “Assim evitam-se as dores de cabeça”, explica o norte-americano.

No mês de Outubro, o realizador viajará pelos EUA para apresentar “Twixt”, uma verdadeira experiência “ao vivo”, à semelhança dos “concertos e desporto”. Para garantir a variedade de visionamentos, utilizar-se-á um sistema informático que alterará as cenas ao longo do desenvolvimento do filme. Esta experiência modifica, por consequência, o conceito de obra única no cinema.

A história foi inspirada num sonho que o realizador teve, e no qual entrava Edgar Allen Poe. Será um filme, “parte romance gótico, parte filme pessoal, parte o tipo de filme de terror com o qual comecei minha carreira”, tal como descreve o autor de “Drácula de Bram Stoker” (1992), que também fez alguns filmes de terror nos tempos de faculdade. “Twixt” será centrado na chegada de um escritor com o intuito de promover o seu mais recente livro numa aldeia e que se vê envolvido na morte de uma rapariga e acaba assombrado por uma aparição nos seus sonhos. O filme contará com as interpretações de Elle Fanning, Joanne Whalley, Val Kilmer e Ben Chaplin, e já ganhou novas imagens promocionais. A primeira exibição terá lugar em Setembro, no Festival Internacional de Toronto.

[notícia publicada originalmente no dia 27 de Julho de 2011, aqui]

Qual será, depois de “Twixt”, o futuro do cinema? Ou, melhor perguntando: como poderemos definir o cinema em si mesmo depois de uma experiência como a que Coppola pretende acarretar? “Twixt” parece ser, de facto, o sucedimento inevitável de uma vaga de projectos com distribuição e exibição inovadores, e que vai contra a velha forma de consumir o cinema. No entanto, a questão vai mais além: falamos aqui de uma modificação, e reforçar que é levada a cabo pela mão de uma tecnologia não-humana, do filme enquanto este se desenrola, tornando-o numa experiência que é, em absoluto, única e, ao mesmo, num filme repartido ad infinitum. Diante de tal evidência, como poderemos considerar a obra original que é “Twixt” sem nos cedermos ao fácil deslumbramento que este nos poderá proporcionar?

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