quinta-feira, junho 09, 2011

Double Feature [2]: Cisne Negro e Caché - Nada a Esconder

O Double Feature é um espaço de opinião regular sobre dois DVDs lançados (ou reeditados) pelas distribuidoras portuguesas. O comentário que segue foi publicado no dia 4 de Junho de 2011, na revista Notícias Sábado integrante do Diário de Notícias e do Jornal de Notícias.

Cisne Negro, de Darren Aronofsky
Fox
★★★

Foi depois de Pi, do avassalador A Vida não é um Sonho e do fracasso de bilheteira de O Último Capítulo que Darren Aronofsky decidiu partir para um cinema voltado para as personagens, materializando os seus maiores conflitos na sua relação com o corpo. Cisne Negro é, por isso, uma continuação, felizmente mais interessante, do que o realizador fez com O Wrestler. Caminhando pelos trilhos do melodrama maniqueísta, que acaba por se esgotar ao fim do deslumbre que proporciona um primeiro visionamento, este thriller psico-sexual não deixa de ser um interessante exemplo da extraordinária capacidade de montagem de Aronofsky e de filmar a decadência das suas personagens. Vencedora do Óscar de melhor actriz, Natalie Portman apresenta-nos aqui o melhor papel da sua carreira.

Caché – Nada a Esconder, de Michael Haneke
Atalanta
★★★


A rigidez com que Michael Haneke, um dos autores actuais mais interessantes, filma esta obra-prima (que mereceu reedição em DVD) pode facilmente equiparar-se à de uma câmara de segurança. No entanto, o espectador adopta o terrífico (e activo) papel de vigilante ou, se quisermos ir mais perto da verdade, de espião. Baseado num documentário sobre o massacre de imigrantes da Algéria na França de 1961, acompanhamos uma família que começa a receber, em casa, cassetes de vídeo que mostram o protagonista a ser secretamente filmado e desenhos perturbantes e pessoais. Politicamente crítico, Haneke constrói uma pertinente reflexão sobre a sociedade ocidental contemporânea, observando a violência, a intolerância, a privacidade e a omnipresença da comunicação social.

Sem comentários:

Enviar um comentário

Assine, sempre que possível, o seu comentário.