quinta-feira, julho 29, 2010

Toy Story 3

Lembro-me, felizmente bem, da novidade que foi quando a primeira longa-metragem da Pixar estreou – não propriamente da áurea que entretanto ganhou entre os restantes público, crítica e procedente criação cinematográfica na animação, mas, mais especificamente, do efeito que causou em mim e das vezes que o revi, em casa e em cassete, vezes sem conta. Teria, entretanto, os meus seis anos, marcando uma relação com o cinema extremamente precoce, mas cujos frutos se acabaram por figurar muitos, e maduros (a tal ponto que, e recordo-o lendo alguns registos de final do ensino primário, já me dizia futuro realizador da Disney!). Foi, pois, vendo continuadamente toda a filmografia da produtora (desde os grandes e primeiros clássicos de animação tradicional às últimas estreias da sua decadência face ao império das três dimensões, uns bons, outros nem por isso) que, natural e paulatinamente, avancei para um tipo de cinema diferente, adaptado às minhas necessidades e capaz de desenhar um novo rumo à minha projecção da vida e da minha existência. Ver Toy Story 3, no dia de hoje, foi uma experiência rara de nostalgia, foi obrigar um Flávio-Andy de dezoito anos, que também vai para a faculdade, no meu caso estudar cinema, a defrontar-se com uma infância que já lá vai e não volta, com uma mente aberta e apenas preocupada em resolver os problemas do universo interior que se ia criando na altura. E vê-lo ao lado de outras crianças, cujo mundo ainda lhes está tão fresco, numa alienação colectiva propiciada pelos desconfortáveis e desnecessários óculos 3D, foi ainda mais simbólico e único – não especialmente pelo desenvolvimento da trama, que é uma interessante reciclagem dos dois primeiros filmes da trilogia, mas, sem dúvida, pela poderosíssima sequência final. Essa, sim, sintetiza aquela que foi uma descoberta fascinada de uma das facetas do Cinema como procura de mim, aquele tempo em que foi passado um irrevogável Passado, aqueles necessários abandono e despedida pelos quais cada ser humano tem que fazer dos vários “sis” que o compõem…

13 comentários:

  1. Belo texto Flávio. Também eu revi vezes sem conta o Toy Story, bem como muitos outros filmes da Disney.

    Quero ir ver este fim-de-semana, e pelo que tenho lido é tão bom quanto os outros dois.

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  2. Obrigado, João :)

    Sendo assim, penso que vais sentir a minha experiência na recta final do filme. Penso que o original é o mais bem conseguido e explorado. Este Toy Story 3 é, em termos de narrativa, apenas uma revisita ao estilo dos dois primeiros, por isso é normal que se considere tão bom quanto os outros, embora me tenha parecido que se podia fazer um pouco melhor. Penso que te recordarás de alguns westerns a ver este filmes :p

    Ainda assim, é de assinalar os temas a que se propõe tratar - a rejeição, a instrumentalização, o sacrifício, a lealdade e a aceitação do fim de tudo, tudo isto em termos muito básicos. Vale pela segunda parte. :)

    Bom filme ;)

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  3. texto muito bonito! escreves muito bem :)

    ainda não vi o filme mas estou mortinha por o fazer, deve estar mesmo giro!

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  4. Tenho sim, Flávio :)

    Se me procurares eu sou o Neuroticon ;) deves encontrar-me na boa!

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  5. Obrigado, Carmen. E é, vais gostar...

    Neuroticon, já te tinha desde que falaste no blog do Álvaro, só queria confirmar se me tinhas adicionado ;)

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  6. Tamb´´em sou um grande f~~a de Disney e uma grande nostalgia foi o que tamb´´em senti ao ver o filme.
    Fui completamente tomado pela emoç~~ao - achei este filme melhor do que os dois primeiros.

    Abraço.

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  7. Já ouvi falar muito deste filme especialmente do final mas eu quero mesmo ver por causa de ser os filmes da minha infância.

    Abraço
    Cinema as my World

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  8. Diogo, não achei. Ainda bem que gostaste :)

    Bruno, penso que vais gostar imenso. Conto com a tua opinião ;)

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  9. Uma pergunta:

    sempre entraste na escola de cinema???

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  10. Alexandre, ainda me falta ir para a fase de selecção e, só depois, saberei...

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  11. Diogo - Andy 18 anos vai para a faculdade, senti exactamente o mesmo.
    O filme é necessário, dantes eu destinguia o 1 do 2 (o primeiro era o meu favorito) o filme fechou-se como se o primeiro e o segundo filme nunca tivessem tido um final. Os três são um todo!

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  12. O que um grande filme, mesmo que alguns não convenceu definitivamente acho que mais gostou, se para mim foi inesquecível da primeira parte. A Disney conseguiu de novo, de novo e mudou-nos cativou com esses brinquedos tão caros.

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