segunda-feira, abril 26, 2010

Eu amo-te Philip Morris

Há algo de profundamente interessante nos filmes, sejam pequenos, como este, ou grandes, que gostam de brincar com as emoções de quem os vê, enganando-os como que a seu bel-prazer, tal como, magistralmente, o fez Expiação, de Joe Wright, a título de exemplo. É difícil reflectir sobre este estranho paradoxo – quando embarcamos na realidade de uma obra de ficção, tornamo-nos parte dela, e, a partir desse instante, tudo terá que obedecer à lógica imposta das coisas criadas. Mas quando temos defronte uma personagem que é um mentiroso compulsivo, todo o cuidado será pouco para o desatento espectador. Mais uma prova de como se torna crucial questionar as próprias imagens que nos vão, constante e continuadamente, recheando a vista. Quanto ao resto da obra: "heterodoxa" (como João Lopes o disse, e bem), boa para afrouxar a mente (apesar de suscitar a nota acima escrita), e para ver as críveis construções de Carrey e de McGregor, que, ao lado da química envolvente, são, previsivelmente, o que mais a enchem.

2 comentários:

  1. Estamos em pleno acordo. Fora uma boa aposta, agradável, mas nada de extraordinário. E lá está, a história tinha mesmo de ser contada!

    Abraço!

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