sábado, setembro 12, 2009

:Dogville (ou A Humanidade em Tamanho Reduzido)



Uma vila perdida nos Estados Unidos da América - sem vegetação, sem horizonte, sem quase nada que sugira a ambiência de um sítio rural: tudo para evitar a distracção e nos apresentar, no seu estado minimalista e literal, uma das visões mais pessimistas e reais do homem ocidental.
É assim que Lars Von Trier, depois de um Dancer in the Dark que não me convenceu, abre a trilogia dos EUA com um inovador filme formalmente falando, apontando o dedo, de forma crua mas sincera, para a malvadez e fraqueza humana sugerindo o medo como justificação plausível de tão reprováveis acções. É curiosíssimo como no twist final, emocional e psicologicamente excelente, o espectador é arrebatado por um moralismo implícito (fomos nós que quase desejamos a morte de alguns personagens pela crueldade das suas posturas ao longo da película e, no final desta, desejamos não ter desejado). Um ensaio inesquecível dos padrões éticos e a ausência total de privacidade dos tempos coevos (tome-se como exemplo uma cena de sexo que conseguimos ver, dada a ausência de paredes e de portas, em segundo plano às vidas dos outros habitantes) e que, para além de nos oferecer, tal como disse na crítica d'A Viagem do Elefante, "uma peça de teatro humana interminável, burlesca e, por vezes, quando ao elenco convém, congruente, compassiva e sensata", nos presenteia com um argumento e interpretações louváveis - sobretudo de Nicole Kidman, claro está. Nota especial para a sequência dos créditos finais, acompanhado pela música de David Bowie.
9,5/10

1 comentário:

  1. Eis, muito provavelmente e para além de todas as intenções estéticas, a mais simples e genuína essência do cinema.

    Cumps.
    Roberto Simões
    CINEROAD - A Estrada do Cinema

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