domingo, março 29, 2009

:"Cannibal Holocaust"


 À pergunta "Qual foi o filme mais perturbador que alguma vez viste?" poderia facilmente pensar em algum filme de terror gore ou de guerra que me tivesse impressionado... sem esquecer, claro, a etapa da vida em que vi determinada obra. No entanto, há que ter em conta que nada é retratado ao acaso. E, nos tempos coevos, sabemos que encontramos sensacionalismo polémico e niilista por todo o lado: nos videojogos, na televisão e no cinema vemos a toda a hora violência da mais gratuita que existe (o que motiva, na geração presente, actos chocantes como os massacres de que temos conhecimento nos estabelecimentos escolares). Contudo, temos de saber que limites éticos deve chegar o Cinema. Não estou, obviamente, com esta publicação, a promover qualquer tipo de censura artística, até porque um dos valores que mais prezo é o da liberdade de expressão. Mas há limites para a liberdade de qualquer um.
Criei este post a propósito de um filme italiano que vi recentemente, o qual podemos considerar um snuff movie. Cannibal Holocaust, de Ruggero Deodato - 1980, é o mais cruel e desumano filme que vi, não propriamente em termos de qualidade (até porque há um claro estudo e trabalho prévio no que à manipulação dos sentimentos do espectador diz respeito), mas em conteúdo. O filme versa a história de um antropólogo que investiga o desaparecimento de uma equipa de realizadores de documentários na Amazónia, Brasil. Se a estupidez máxima é alcançada a retratar os brasileiros como falantes da língua espanhola, então a parte mais nojenta é mostrada de forma imensamente  incompreensível. O que acaba por se suceder é o confronto dos "civilizados" com os indígenas canibais. Se, por um lado, conseguimos apreender uma crítica à sociedade ocidental contemporânea (que, em situações limite, volta praticamente à Idade da Pedra), por outro, achamos um extremo exagero mostrar, de forma tão gráfica (e porque é, realmente verdadeiro, sem qualquer tipo de efeitos especiais à mistura) a morte brutal e insensível de vários animais - seis, ao todo: um quati, uma tartaruga, uma aranha, uma serpente, um macaco-de-cheiro e um porco. Matar é arte, agora? (sobre isto podemos ver um ensaio muito bom em "Rope", de A. Hitchcock). E isto sem contar com as (encenadas) cenas de canibalismo puro e de violação sexual. Pergunto-me: qual a verdadeira razão desta incrível desumanidade? Criticar ou criar, simplesmente, controvérsia?  O primeiro motivo parece não ter sido tido em conta pelo realizador que, depois de preso pelas autoridades italianas, fez um pedido de desculpas pelo facto de ter assassinado os seres vivos mas que, ironicamente, está a preparar uma sequela do filme a estrear este ano.
Não vejam este filme. Não o tomem como um desafio ou coisa semelhança. Simplesmente não queiram perturbar a vossa mente. Fi-lo consciente, sabendo que ia ter uma experiência sensorial bastante abaladora. Mas é desperdício puro. Mas faz-me ver, agora mais fortemente do que nunca, que é necessária a consagração dos direitos dos (restantes) animais, concedendo-lhes protecção, para que isto não volte a acontecer.

2 comentários:

  1. Eu vi a tua nota no FA :p Devo dizer que não me surpreendeu muito. Este é o tipo de filme que não faço a mínima intenção de visualizar. Mas vá, ainda bem que tu viste porque assim pudeste nos presentear com um excelente texto :p

    E concordo plenamente quanto ao Rope.

    Abraço

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  2. Olha Requiem For A Dream (Darren Aranofsky) simplesmente arrebatador.

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